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Fruta da época

Janeiro 7, 2009

O equilíbrio entre a oferta e a procura de qualquer tipo de recurso é fundamental para o funcionamento e estabilidade de muitas redes e sistemas energéticos, problemas locais e regionais que quebrem este delicado equilíbrio podem de facto causar um colapso global e mesmo quando estes problemas têm como resposta a utilização das reservas o seu custo para o consumidor torna-se de tal forma proibitivo que as consequências a médio e longo prazo serão as mesmas.

Sejam os problemas locais gerados por um acidente, uma catástrofe natural ou uma disputa de preços como foi o caso da disputa entre a Rússia e a Ucrânia em Dezembro 2005 a Janeiro de 2006, o certo é que o uso das reservas visando repor o equilíbrio entre a oferta e a procura é limitado no tempo e a realidade de uma degradação da situação a nível global poderá resultar num colapso global se essa contingência local não for resolvida.

Em 2006, a disputa resolvida com um acordo a 4 de Janeiro desse ano deixou bem clara a vulnerabilidade do sistema energético europeu e a sua dependência das relações entre a Rússia e a Ucrânia. A primeira fornece 25% do gás natural enquanto a Ucrânia fornece 80%, tal como agora o problema surgiu numa disputa de preços e quando a Rússia, em virtude dessa divergência, fechou o fornecimento à Ucrânia e esta à Europa, como de resto o fez hoje mesmo.

Para a Europa, é fundamental que perceba que precisa de ajustar os seus mecanismos de emergência, sejam reservas ou fornecedores alternativos, ao nível de consumo total o que não será nunca uma resposta segura para evitar um colapso global mas sem dúvida tornará menos provável esse facto, tanto mais que parece ser claro que este tipo de disputas entre a Rússia e a Ucrânia são claramente fruto da época.

Claro que há quem diga que a resposta é outra e que há umas bintoinhas que vão resolver esta treta toda. E há quem oiça tal coisa e se irrite.

Para quem tiver tempo para matar…

Agosto 6, 2008

Smithonian Associates, States of Fear, Michael Crichton speech.

Estas palestras, para alem de bem feitas, convidam a desafiar alguns dos conceitos mais enraizados na forma como vemos não só a natureza e a sociedade mas também o papel da política e dos média na percepção dessas realidades.

Um exemplo que ele dá logo no início sobre esse tipo de conceitos é a seguinte:

Alguém vai de férias para a Riviera e deixa o seu gato a um amigo para tomar conta dele. Passados uns dias o amigo telefona e diz-lhe: “o teu gato subiu para o telhado, não descia e tivemos de chamar os bombeiros o gato saltou para uma árvore e no meio da confusão caiu de lá e olha morreu!”

O tipo fica desesperado, “o meu Deus, não é assim que se dá uma notícia dessas! devias ter-me preparado para a má noticia”

– Como assim?

– No primeiro dia telefonavas-me e dizias que o gato fugira para o telhado, no segundo que chamaste os bombeiros e no terceiro lá explicavas que ele fugira para uma árvore e que por azar caíra de lá e morrera.

O amigo percebeu a ideia e pediu desculpas.

Uns dias mais tarde esse mesmo amigo volta a telefonar.

– Meu caro, era só para te avisar que a tua mãe fugiu para cima do telhado.