Posts Tagged ‘Ribau’

A hora mudou III

Março 31, 2008

1. 35,6 por cento dos inquiridos considera que Marcelo Rebelo de Sousa é quem reúne melhores condições num confronto com o actual primeiro-ministro. O presidente da Câmara do Porto surge em segundo lugar com 18,5 por cento das preferências e o líder laranja registou menos 3,8 pontos percentuais do que Rui Rio, ficando em terceiro lugar. Já Santana garante apenas 11,9 por cento das opções.

2. A avaliar pelo eleitorado do PSD em 2005, o cenário de Menezes piora, ao passar para o fundo da tabela. O presidente do PSD não consegue convencer os eleitores do partido e não chega aos 13 por cento. Marcelo, mais uma vez, assegura a liderança, com 35,5 por cento, apesar de Rui Rio ficar próximo, com 31,6 por cento. Santana Lopes reúne junto dos inquiridos que votaram PSD nas últimas legislativas 14,2 por cento.

3. A maioria dos portugueses que já viu o novo símbolo do PSD não gostou. De acordo com uma sondagem CM/Aximage, 51,6 por cento dos inquiridos considera que o novo símbolo, apresentado pela direcção de Luís Filipe Menezes no início deste mês, é ‘pior do que o actual’. Já 25,5 por cento diz ser igual à imagem utilizada pelos sociais-democratas actualmente. Apenas 14,6 por cento diz ser ‘melhor do que o actual’.

4. A mesma opinião é partilhada pelo próprio eleitorado do PSD: 67,5 por cento dos inquiridos que votaram nos sociais-democratas nas últimas Legislativas não gostaram do novo símbolo. Só 13,1 por cento o considerou melhor do que o actual símbolo utilizado pelo partido e 13,7 por cento disse ser igual ao actual.

5. A nova imagem dos sociais-democratas – em que as três setas passam a uma e o desenho das siglas PSD é alterado – só foi visto por 31,1 por cento dos inquiridos. Os restantes 68,9 por cento disse ainda não ter visto a nova imagem.

6. As críticas de alguns dirigentes do PSD, como Rui Rio, ao novo regulamento do partido – que permitirá o pagamento de donativos em dinheiro – têm o apoio de 39,3% dos inquiridos.

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A hora mudou II

Março 31, 2008

Marcelo corrige ontem a notícia do DN, que dava conta de um almoço de três horas entre Marcelo e Menezes, com “excelentes” resultados, já não corrige a sua opinião sobre Menezes. Ao mesmo tempo, parece que Marcelo recolhe 35,6% das preferências dos portugueses que acreditam que ele é o melhor candidato do PSD para disputar as eleições legislativas contra o José Sócrates, sendo que, o próprio eleitorado social-democrata coloca o professor na liderança da lista em que Luís Filipe Menezes ocupa o último lugar, abaixo de Santana Lopes e de Rui Rio, segundo o CM.

Mas lá diz Menezes que as bases estão com ele e ele com as bases. Tenho dúvidas, estou farto de o escrever e tenatr explicar que estes apoios ainda estão por provar, no entanto há quem confunda isto com wishfull thinking mas mesmo esses terão de concordar com aquilo que Pacheco Pereira ou Vasco Pulido Valente andam a escrever.

A perspectiva de um grupo parlamentar emanado de Menezes e Ribau não dá espaço a contemporizações e silêncios estratégicos, o futuro do PSD (é disso que se trata) joga-se em 2008 e não depois da tragédia consumada.

Nota: “Não duvido que um parlamento com maioria Menezes consiga estarrecer a ‘Europa’ e animar os portugueses. Mas pode suceder que Menezes perca e que, perdendo, ele próprio desapareça de cena, deixando ao sucessor um rancho folclórico inútil para a oposição e fatal para a ‘reconstrução’ do partido. Nessa hipótese, o PSD acabou e não há um congresso, nem Messias que o salve. Um desastre? Não sei. Sei que Menezes tem a faca e o queijo na mão”. VPV no Público.

Acabou?

Março 15, 2008

Quando Menezes ganhou as directas, entre muitas explicações possíveis, há um conjunto de questões que me coloquei na altura.

Seria que os militantes, a base do partido, não aceitara que 2005 fora o fim de um ciclo, de uma proposta política, encabeçada por Santana, Gomes da Silva e, parecia-me assim ser, pelo próprio Menezes?

O discurso coxo de Sampaio ainda ressoava nos ouvidos das bases do partido, uma humilhação que urgia vingar? Se assim fosse, para além de outras tínhamos uma outra razão para a queda de Marques Mendes, o homem que personificava esse fim de ciclo?

Certamente que Mendes não correspondia ao esperado pelas bases, mas as bases nunca tinham passado por um período assim ou alguma vez tiveram de enfrentar uma maioria absoluta.

A própria natureza de Marques Mendes e a impossibilidade de distribuir qualquer tipo de benesse ou poder teriam sido os principais factores?

 

Seja quais forem as razões, parece-me certo que a alternativa que Menezes personificou, terminou. As bases já perceberam isso e ainda que, pontualmente, possam aceitar que Menezes se vitimize, não aceitam o ataque que Menezes, Ribau e Mendes Bota fizeram às elites.

Porquê? Bom, porque os militantes de base dos grandes partidos não constituem um órgão mas não se comportam de forma independente, pelo contrário, olham para as reacções das elites do seu partido.

Fizeram isso quando Ferreira Leite demorou eternidades para apoiar Mendes, para Cavaco quando escreveu sobre a boa moeda, para Morais Sarmento, Capucho e outros que encolheram os ombros a Mendes. Então as bases também encolheram os ombros, hesitaram com Ferreira Leite e mudaram de direcção.

 

A simples ideia que as bases, dotadas de voz pelo voto, se tornaram independentes e impermeáveis ao que aqueles que fizeram ou fazem história no PSD dizem, é um colossal erro.

As bases do PSD, como de resto as de qualquer outro partido de grandes dimensões no mundo, não possuem tais qualidades, pelo contrário. A ideia que faço e fui fazendo ao longo dos últimos anos, é que grande parte dessa massa de militantes segue a opinião da chamada elite e vota nesse sentido apenas pedindo que essa mesma elite seja clara nas suas posições.

 

Outra razão que me leva a afirmar que a alternativa personificada por Menezes chegou ao fim, reside no discurso adoptado pelas elites que a direcção atacou. Ao invés de uma critica complexa ou simples indiferença que se notava com Mendes, aqui simplesmente gritaram “desgraça”.

 

Uma das coisas que qualquer social democrata pode verificar numa qualquer reunião de secção é que a simples menção de que as coisas estão basicamente a correr bem no PSD, que as sondagens até subiram uns pontinhos, que o ciclo eleitoral é assim mesmo, ou seja, o típico discurso menezista, irrita quase todos sem excepção. Se ao invés, disser que isto está uma desgraça e que assim não vamos lá, imediatamente terão a atenção de uma sala inteira e ao fim de uns minutos a concordância da mesma.

Posso estar errado, posso estar total e completamente errado, mas ao contrário do que Menezes defendeu nas entrevistas que deu nos últimos dias, ele perdeu as bases e o partido, agora é só uma questão de tempo até aparecer uma alternativa.

 

Nota :

Sobre o patético retrato intimo, ler esta posta do Paulo Gorjão

Adolfo Mesquita Nunes escreve sobre Menezes e as Bases aqui

Pacheco Pereira escreve “(…) Em 2005, o PS potenciou e muito os seus ganhos com votos de rejeição contra a “oferta” que o PSD dava ao eleitorado. Há alguma razão para pensar que em 2009 vai adorar o que rejeitou em 2005? Nenhuma.

 

 

As bolhinhas do Tsunami

Março 12, 2008

O disparate de ontem é por demais evidente a cada hora que passa.

Júlio Machado Vaz poderá ter razão quando diz que “em geral, o Governo perde as eleições e a oposição limita-se a colher os frutos, Menezes arrisca-se a inverter a tendência”, no entanto, como escreve Arnaldo Madureira “não dramatizemos. Tudo é transitório”.

Menezes classificou este estado de coisas de “borbulhagem”… hum… essa história das bolhas não será um sinal de que vem aí um tsunami?

Nota: E não, isto não chega.

Ler –  Lições de auto-destruição, do FMS que deve ser acompanhado de umas noções sobre o chamado “third rail”

Amado pelo Povo, do FJV que deve ser acompanhado com um suspiro