Posts Tagged ‘PSD’

A vital questão

Maio 22, 2009

Já não me lembro bem que escreveu, mas julgo que foi VPV, a propósito da entrada de Zita Seabra no PSD, das saídas de Judas e Vital Moreira do PCP, que só à direita é que essas “transferências” eram vistas com simpatia. Á esquerda, ninguém veria com bons olhos a chegada de alguém da direita, Roseta nunca teria sido realmente bem aceite, como há pouco tempo Freitas do Amaral teria sido simplesmente tolerado.

Quanto aos comunistas, a coisa era ainda mais clara, tais casos não se distinguiram na prática dos traidores dos valores do Partido que dele saíram para se estabelecerem junto da burguesia. É por isso que sempre me espantou a escolha de Vital Moreira. Não agradava ao centro mais politizado que nunca deixou de o ver como alguém que demorou décadas para perceber o que era claro desde 21 de Agosto de 1968, nem à extrema-esquerda que nunca o deixou de ver como um traidor à causa e aos valores.

Porque raio terá Sócrates escolhido uma figura tão controversa para cabeça de lista? Sócrates é um animal político – não é necessariamente um elogio mas a constatação de uma realidade – se a escolha de Vital não se deve à sua alegada competência, que mesmo que fosse um facto incontroverso, não é uma qualidade que necessariamente atrai votos, qual é a vantagem de Vital para Sócrates?

Houve quem me defendesse que a escolha destinava-se a justificar uma possível derrota, duvido. Estas não são apenas eleições europeias, são muito mais que isso, Sócrates sabe disso muitíssimo bem e ou está confiante que a data da mesma, conjugada com a enorme abstenção que se prevê, acabe por dar uma vitória ao PS, ou há algo que ainda não vimos que redima o PS aos olhos do eleitorado.

Tb aqui

Frases

Maio 15, 2009

Minhas amigas e meus amigos, para quê algodão quando podemos ter seda?

Cuidado com os dedos espetados…

Abril 26, 2009

congresso-053

Há um sério problema de alguns militantes (simpatizantes) do PSD em olhar para a realidade quando ela não lhes convém. Eu percebo simpatias, percebo lealdades, percebo até inimizades que daí nascem. Mas em face dos factos, da clara evidência dos mesmos, é pouco mais que esquizofrénico procurar responsáveis fora do círculo dos que realmente o são.

Ou como escreveu o PML.

Vai longe esta direcção do PSD com estes conspiradores.
Nem uma palavra sobre o texto que evidentemente não lhes interessa. O que importa é uma teoria conspirativa que mete jornais e supostos apoiantes de quem quer que seja.
Dá vontade de rir mas é apenas triste.

Post feito de barriga cheia

Abril 14, 2009

Uma das vantagens de passar a Páscoa à terra (ao Minho) é que, para quem a vive, só lá parece ser vivida. Não há boa Páscoa há Santa Páscoa, há compassos, há Missas e foguetório, há Sexta-Feira Santa, sobretudo e para quem pãezinhos com menos sal é coisa impensável, um Sábado com um arroz de lampreia, cabrito e um domingo ainda mais pantagruélico, com ensopado de borrego, javali, cabrito, doce de ovos, pão-de-ló, tudo isto regado com vinho verde, verde tinto, tinto e mais não digo. Um festival de pecados que anularam as boas intenções da Quaresma.

A realidade, ainda que não toldada pelos excessos, parece-nos estranha. Para a boa gente que visitamos por estes dias, que encontramos na rua, tudo que por estes dias preocupa os mentideros políticos é coisa sem a menor importância, os cartazes de Manuela Ferreira Leite, uma coisa horrorosa para a qual não tenho explicação, de Vital Moreira, brilhante na personificação do que mais plástico e reverente o PS tem a oferecer ao país – a minha filha tem um barriguita igualzinho, juro! – o drama/tabu da escolha do cabeça de lista, da lista e sei lá mais o quê do PSD, as descabeladas diatribes de Ana Gomes… Nada disto importa. Há muito que perceberam que a Europa nada lhes diz, não sabem nem querem saber quem faz o quê e para quê na Europa.

Como hoje já sabem que Sócrates não se impressiona facilmente e uma eventual derrota nas Europeias não mudará uma vírgula naquela cabeça, que também não é agora que a coisa pode mudar, então para quê perder tempo com quem não perde tempo com eles? Fica para depois das férias, entretanto há que cuidar da vida que está muito complicada e se não mudou nada até agora bem se pode esperar mais um bocado.

Marcelo para Europa. Já!

Março 2, 2009

marcelo-rebelo-de-sousa-fundo-claroDizem-me – não vi e ainda não estava online à hora em que escrevi – que Marcelo Rebelo de Sousa terá lançado o nome de Pedro Passos Coelho como possível cabeça de lista do PSD nas eleições europeias. Não me parece descabida a ideia: Passos Coelho tem neste momento condições para ser um candidato ganhador a qualquer eleição que se proponha vencer. Mas vamos com calma: há outros belíssimos quadros políticos com que o PSD pode contar para este desafio. E entre eles, conta-se antes de mais… Marcelo Rebelo de Sousa.

Naturalmente, o professor não se atreve a lançar o seu nome de moto próprio. Mas tenho sérias dúvidas que a sua lendária capacidade de análise não tenha já descortinado o evidente – é o próprio Marcelo o melhor candidato para bater Vital Moreira em Junho. Por uma razão muito simples: onde Vital é forte – passado político, currículo académico, envergadura intelectual – Marcelo anula-o. E onde Vital fraqueja – anti-clericalismo militante, postura de yes man, fracas capacidades de comunicação – Marcelo marca o contraste: entra bem no eleitorado católico, tem provas mais que dadas de independência de espírito, e é universalmente reconhecido como o melhor comunicador político em Portugal.

As fraquezas de Marcelo – que as tem – relacionam-se com a dúvida que se instalou sobre a sua capacidade para cargos executivos. Talvez injustamente, o seu brilho acabou por lhe conferir uma imagem de volubilidade prejudicial para aspirações governativas. Mas ninguém poderá contestar que Portugal ficaria soberbamente representado na Europa por alguém com a craveira intelectual de Marcelo Rebelo de Sousa. E na perspectiva mais que provável de uma renovação da maioria PPE, Marcelo poderia seguramente aspirar a um papel de destaque no Parlamento Europeu.


Vasco Campilho

Mantra do dia: Lealdade não é obediência

Janeiro 10, 2009

Cavaco Silva não desistiu de ter duas eleições em simultâneo este ano.A hipótese de realizar legislativas e autárquicas no mesmo dia — um cenário que José Sócrates rejeita — continua em cima da mesa. Outro foco de tensão vai ser a lei que altera o voto dos emigrantes, que o PR
não vai aceitar. Os partidos políticos já estão a par das intenções de Cavaco, embora o diploma que põe fim ao voto por correspondência ainda não tenha chegado a Belém.

Expresso

Era bom conversarem antes um bocadinho

Janeiro 7, 2009

De manhã, no parlamento: Eleições 2009: PSD exige esclarecimentos de Sócrates

À tarde, na sede: PSD com atenções voltadas para a crise e não para data das eleições

Para uma direcção que se queixa tanto do barulho mediático da oposição interna, que incomoda a performance da líder, não seria má ideia evitar ser os próprios a criar o tal ruído.

Escolhas

Janeiro 5, 2009

Ler o Gabriel Silva ou o que Adelino Maltês diz sobre a direita em Portugal e conjugar com o que Pedro Picoito escreve ou repete leva a conclusões bem claras sobre o PSD e o PP:

No primeiro caso, com todo o reconhecimento que se lhe deve dar, o PSD precisa urgentemente de se tornar independente da figura de Cavaco Silva e da sua herança, até porque e a julgar pelos factos e não as promessas, só assim a figura de Santana Lopes deixa de ensombrar o futuro do partido.

No segundo caso, as alternativas a Portas não podem cair nos erros do passado e assumir uma agenda mediática mais aguerrida se querem ser alguma coisa no PP. A ideia de se apresentarem alternativas baseadas nos alegados méritos e qualidades dos próprios não chega, não há um militante de base em qualquer partido que veja com bons olhos um discurso de apresentação que reza qualquer coisa deste género: “Eu vim ajudar o partido, só pessoas como eu, independentes…sim eu não dependo do partido, honestas…sim eu não ando neste mundo porque tenho coisas mais importantes para fazer, este mundo da política que de resto está claramente podre mas não se assustem que eu vim cá fazer uma limpeza…”


A política é um jogo de negociação, ninguém ganha um jogo deixando bem claro aos outros parceiros que só ele é que não faz batota. É que não ganha mesmo.

Reformar é possível, é só preciso querer

Novembro 24, 2008

Se há princípio diferenciador entre PSD e PS ele está, desde logo, na cultura reformista do Partido Social Democrata. Não se trata de uma diferenciação meramente teórica nem, diria, de uma diferenciação ideológica. Trata-se, antes de tudo, de um ponto de partida distintivo que se fundou na consciência crítica de um regime opressivo e que se manifestou na sua plenitude com a implantação da democracia. É, por isso, a matriz identitária do PSD. Com a força de uma matriz que assume o ideal reformista por convicção e não por uma qualquer obrigação doutrinária. Consciente de que as reformas não se esgotam no tempo, nem se concluem com a concretização dos objectivos enunciados e com a responsabilidade de as assumir como processos contínuos de ajustamento das políticas às realidades, ora antecipando-as, ora condicionando-as. A reforma é, por natureza, uma never ending story.

Rita Marques Guedes

Esclarecimentos importantes

Novembro 24, 2008

Disse que se tivesse uma equipa, um programa e vontade seria candidato a primeiro-ministro. Tendo a sua equipa a trabalhar num programa para o país no seu ‘think-tank’  (Construir ideias), mantém a vontade de ser candidato?
Com certeza que sim. O facto de não querer contribuir para a instabilidade não significa que as pessoas não possam ter escolhas diferentes. As pessoas devem conhecer alternativas. O PSD fez uma escolha há muito pouco tempo. Inserir na agenda interna outra discussão que não seja ajudar a actual liderança é contribuir para o oposto do que pretendo: encontrar um caminho alternativo ao PS, que tem cometido muitos erros.


DE