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Escolhas

Janeiro 5, 2009

Ler o Gabriel Silva ou o que Adelino Maltês diz sobre a direita em Portugal e conjugar com o que Pedro Picoito escreve ou repete leva a conclusões bem claras sobre o PSD e o PP:

No primeiro caso, com todo o reconhecimento que se lhe deve dar, o PSD precisa urgentemente de se tornar independente da figura de Cavaco Silva e da sua herança, até porque e a julgar pelos factos e não as promessas, só assim a figura de Santana Lopes deixa de ensombrar o futuro do partido.

No segundo caso, as alternativas a Portas não podem cair nos erros do passado e assumir uma agenda mediática mais aguerrida se querem ser alguma coisa no PP. A ideia de se apresentarem alternativas baseadas nos alegados méritos e qualidades dos próprios não chega, não há um militante de base em qualquer partido que veja com bons olhos um discurso de apresentação que reza qualquer coisa deste género: “Eu vim ajudar o partido, só pessoas como eu, independentes…sim eu não dependo do partido, honestas…sim eu não ando neste mundo porque tenho coisas mais importantes para fazer, este mundo da política que de resto está claramente podre mas não se assustem que eu vim cá fazer uma limpeza…”


A política é um jogo de negociação, ninguém ganha um jogo deixando bem claro aos outros parceiros que só ele é que não faz batota. É que não ganha mesmo.

O Cartório de cada um

Junho 30, 2008

José Sócrates, acusou o PCP e o BE de julgarem possuir um «cartório onde podem passar um certificado de ser ou não de esquerda» e no fundo até desejarem que os outros, do PS, «pagassem um dizimo àqueles que são do verdadeiro socialismo e da verdadeira esquerda».

Não é difícil, olhando para o argumentário do BE ou do PCP, que se não for essa a maneira de estes dois partidos olharem a realidade política é por aí.

O BE apoia o seu discurso na posição do “angry young man”, de costas voltadas a tudo que não se conforme com a sua visão do mundo, a única que é justa, porque só ele, como os jovens pré-adultos que perfazem boa parte do seu eleitorado, é que entende o mundo, a injustiça, os problemas, só ele é que os vê. O BE, que reagiu na mesmos termos com que se sentiu ofendido pela voz de Louçã, assenta toda a sua existência nesta maneira de estar na vida, nesta certeza que só eles estão a olhar para o mundo com olhinhos de ver e o resto é cego.

O PCP, actua como sempre o fez e fará, como o partido mais conservador do panorama nacional, desconfiado da realidade e dos tempos, qualquer alteração é má por definição a não ser que confirme aquilo que defendem, independentemente de pensarem se o que ainda defendem tem alguma adesão à realidade.

Sócrates tem toda a razão? Nem por isso. Não fosse de Sócrates que falamos, o homem que sabe e afirma que só ele se esforça, só ele tem razão e tudo o que o contrariar ofende quem quer o bem de todos nós, como ele quer e sobretudo ofende-o. Algo que ele suporta com pouquíssima paciência.

Quem sobra? Ninguém, porque afinal só no PSD se encontra quente séria e vertical, que não um dia lá dirá o que pensa sobre o que achar relevante para não nos deixar nas entrelinhas e no PP, só eles têm uma verdadeira visão do que é Portugal, sendo que só por má vontade, se não for por maldade, é que o resto do espectro partidário se recusa a olhar para o país da mesma maneira.