Posts Tagged ‘Parlamento’

Post feito de barriga cheia

Abril 14, 2009

Uma das vantagens de passar a Páscoa à terra (ao Minho) é que, para quem a vive, só lá parece ser vivida. Não há boa Páscoa há Santa Páscoa, há compassos, há Missas e foguetório, há Sexta-Feira Santa, sobretudo e para quem pãezinhos com menos sal é coisa impensável, um Sábado com um arroz de lampreia, cabrito e um domingo ainda mais pantagruélico, com ensopado de borrego, javali, cabrito, doce de ovos, pão-de-ló, tudo isto regado com vinho verde, verde tinto, tinto e mais não digo. Um festival de pecados que anularam as boas intenções da Quaresma.

A realidade, ainda que não toldada pelos excessos, parece-nos estranha. Para a boa gente que visitamos por estes dias, que encontramos na rua, tudo que por estes dias preocupa os mentideros políticos é coisa sem a menor importância, os cartazes de Manuela Ferreira Leite, uma coisa horrorosa para a qual não tenho explicação, de Vital Moreira, brilhante na personificação do que mais plástico e reverente o PS tem a oferecer ao país – a minha filha tem um barriguita igualzinho, juro! – o drama/tabu da escolha do cabeça de lista, da lista e sei lá mais o quê do PSD, as descabeladas diatribes de Ana Gomes… Nada disto importa. Há muito que perceberam que a Europa nada lhes diz, não sabem nem querem saber quem faz o quê e para quê na Europa.

Como hoje já sabem que Sócrates não se impressiona facilmente e uma eventual derrota nas Europeias não mudará uma vírgula naquela cabeça, que também não é agora que a coisa pode mudar, então para quê perder tempo com quem não perde tempo com eles? Fica para depois das férias, entretanto há que cuidar da vida que está muito complicada e se não mudou nada até agora bem se pode esperar mais um bocado.

Olha aí o nível meu!

Fevereiro 26, 2009

Ontem foi dia de debate no Parlamento, há quem oiça por dever de ofício e quem não tendo nada com que se irritar resolva ouvir a coisa toda enquanto cruza o país numa das três auto-estradas que liga o Porto a Lisboa. Confirmaram-se então as piores previsões que fiz anteontem, entre um “santa rita” e um “sidónio”.

Sócrates não está bem. Anda maldisposto, não se lhe pode perguntar nada, não responde a nada e quando responde começa por desfiar um rosário de feitos que só existem naquela cabeça, depois alerta para o facto de serem uns calões que nada fariam no lugar dele e por fim, se alguém se atrever a perguntar mais uma coisinha que seja, franze o nariz (enorme diga-se) e esganiça umas coisas sobre ataques pessoais, campanhas negras e às bolinhas amarelas.

Curiosamente, porque antes do Congresso deste fim-de-semana, notou-se um esforço em elaborar uma espécie de balanço final dos trabalhos da agremiação e onde pontuaram as intervenções de Alberto Martins e Afonso Candal, ambos incansáveis no esforço necessário para enfiar páginas de lugares comuns para no fundo fazerem a mesma pergunta: “Senhor PM, na sua opinião, será Vexa extraordinária ou só espectacular?”.

Ficámos a saber, por duas vezes, que o PM se considera no máximo fantástico, coisa que a cambada de invejosos que compõe toda a oposição obviamente não suporta. Por outro lado, Paulo Rangel – que nitidamente odeia o perfil de estátua grega do PM – baixou o nível do debate a níveis insuportáveis para a educação esmerada do PM, da população em geral e de Augusto Santos Silva em particular. Ajudaria – diga-se – que Paulo Rangel não interpele o PM sobre coisas menores como o uso dado aos dinheiros públicos.

Lembro-me vagamente de umas questões sobre um tal Fino, que pareceu causar grande confusão ao Governo, demorando um bom bocado a perceber que os comunistas não estavam a falar de imperiais mas de um obscuro negócio que a ninguém diz aparentemente respeito. Fiquei esclarecido.

Acho que houve outras coisas estúpidas e despropositadas ao ponto de o PM achar que estava num programa de televisão e não num debate. Fiquei na dúvida a que tipo de programa se referia.

Na segunda-feira logo veremos se o magnifico PM não se terá fartado justificadamente disto e pedido umas eleições antecipadas para renovar a bancada da oposição.

Lições

Julho 10, 2008

Há neste debate do Estado da Nação uma primeira lição a retirar: a boa oratória não vale nada contra a encenação mediática.

Estado da Nação

Julho 10, 2008

Muito boa estreia de Paulo Rangel, na sua primeira intervenção, confirmando a capacidade de escolher os temas, face a um Sócrates em grande forma no discurso inicial mas incapaz de resistir à resposta estandardizada face a qualquer questão; eu apresentei x propostas e os senhores nada.

No entanto, quanto à questão dos estudos sobre os investimentos públicos Paulo Rangel teve de assistir ao media show feito pelo PM e há muito preparado pelos seus assessores. Era de adivinhar. Paulo Rangel devia ter adivinhado e pagou cara a distracção.

Inadmissível, como é já hábito, a debandada geral dos deputados do PSD finda a intervenção do lider da bancada.

Paulo Rangel

Junho 30, 2008

Ouvi o Marcelo a explicar que a votação para a liderança parlamentar de Paulo Rangel era um banho de humildade, o que é um disparate quando se aplica a Paulo Rangel, sendo que a simples formulação do argumento por Marcelo me abstenho de comentar sequer.

Paulo Rangel é o melhor orador do grupo parlamentar, competente e inteligente, é uma óptima escolha. Se a votação diz alguma coisa é que Paulo Rangel tem excatamente os apoios que tem, ali não houve fingimentos, quem era a favor era, quer era contra mostrou.

Recorde-se que Mendes e Guedes tinham muito menos deputados do seu lado.

Pessoalmente acho que Paulo Rangel é um autêntico abono de família para Manuela Ferreira Leite, mas eu sou suspeito porque simpatizo com o homem.

No Parlamento I

Março 6, 2008

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Foto Afonso Azevedo Neves