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Ficar no banco a ver o jogo.

Julho 17, 2008

«Há uma enorme tendência para se achar que o papel da oposição é apresentar alternativas àquilo que o Governo faz. Não é. O papel da oposição é de fiscalização da acção do Governo», disse ontem Manuela Ferreira Leite num jantar com o seu grupo parlamentar.

Os senhores que planeavam fazer parte dos grupos de estudo do PSD devem-se estar a perguntar o que se fará com o que produzirem. Pelo menos já perceberam que nem devem sonhar em aparecer numa qualquer conferência de imprensa na sede do PSD a apresentar políticas alternativas.

A Presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, saberá que a Economia ganhou o titulo de Senhora das Ciências Sociais quando escolheu como seu campo de investigação e desenvolvimento soluções e consensos políticos pré-existentes ou por outras palavras, a economia avançou como ciência social sabendo que cada negócio fechado, cada transacção, implicava a resolução de um diferendo politico. A Economia avançou como tal porque indissociável da actividade politica, porque inseparável do encontro de vontades e a resolução de diferendos políticos. (Lerner, A. 1972. The economics and politics of consumer sovereignty. American Economic Review 62, 258–66)

Ao afastar a ideia que a oposição deve apresentar alternativas, propor, no fundo falar política, Manuela Ferreira Leite, comete vários erros que lhe podem custar caro e afasta a ideia que a oposição implica opor a uma solução uma outra que julgue mais adequada. Se assim não for é porque não está a jogar. Está no banco.

Em primeiro lugar, na base desta ausência de alternativas está a ideia que é no silêncio que não se afastam votos, em oposição à noção que o contrário afastará votos da alternativa que se quer apresentar. Isto teria um fundo de verdade quando Durão Barroso era líder de oposição, sobretudo quando do outro lado estava Guterres, que cansou o eleitorado com tantas ideias e propostas, tanto diálogo e troca de impressões. Sócrates não segue essa linha, Manuela Ferreira Leite não devia imitar Barroso.

Em segundo lugar, não é porque o PSD sai dos holofotes que as asneiras do PS passam a lá estar, para tal também não basta denunciá-las, o que se tem algum efeito a curto e médio prazo, não chega.
Como se viu com Marques Mendes, cujos temas que lançou – OTA e Referendo ao Tratado – dominaram a agenda, mas não lhe renderam mais votos. Sobretudo porque não foi claro na resolução dos problemas que apresentava durante muito tempo, demorando eternidades até falar em Alcochete por exemplo, sobretudo porque ao fim de um muito curto período de denúncias deixou de ser ouvido.

Não vou aqui discorrer até que ponto esta opção pelo silêncio tem consequências no gradual desinteresse dos militantes e daqueles que querem colaborar na elaboração de políticas alternativas. Os exemplos do passado recente no PSD ofereceram amplas provas do erro dessa opção.
No entanto, gostaria de chamar à atenção a contradição entre a opção de sair do palco mediático e a forma como no PSD ainda se vive com receio da discussão pública das diferenças e posições, ou seja, para quem não quer mediatização da política parece que as suas opções principais denunciam uma preocupação exagerada com os media.

Em terceiro lugar, sem a apresentação de alternativas é licito afirmar que o eleitorado ficará às escuras, sem saber no que o PSD se distingue das opções actuais do Governo. O argumento que o eleitorado só decide perto das eleições não funciona aqui, porque essa decisão não prescinde do que foi ouvindo e vendo ao longo do tempo.

A hora mudou

Março 30, 2008

Escreveu Pacheco Pereira que “Aqueles que contam com a derrota do PSD em 2009, para afastar a actual direcção, – e não adianta estarmos a enganar-nos uns aos outros com palavrinhas de circunstância, é aquilo que todos esperam, – prestam um péssimo serviço a uma alternativa mais que necessária ao PS. Podem acordar em 2010 com um PSD que perdeu de vez a sua dimensão nacional, um partido que conta cada vez menos para a vida pública, acabrunhado por mais uma derrota que só pode gerar depressão ou escapismo entre os militantes (sim, porque deles será uma grande responsabilidade), cheio de “bodes expiatórios” e de “apontar de dedos” da culpa, e de “lutas finais” de todos contra todos, com imensa gente a defender-se à “bomba” dos restos do seu poder, e outra sossegada com os quatro anos que adquiriu no parlamento e depois daqui a quatro anos se verá, contente com a sua gestão por objectivos.”

Isto é tanto mais verdade se lermos que Ângelo Correia anda a mediar os conflitos internos, promovendo reuniões com Marcelo, Relvas e Aguiar Branco, ao mesmo tempo que Menezes cria uma task-force,  à margem da Direcção,com nomes ilustres como Virgilio Costa, Helena Lopes da Costa, Cirilo Gomes e Vânia Neto, entre outros. Ao mesmo tempo que a assessoria do grupo parlamentar recebe avisos que para cada despacho de nomeação corresponde um de exoneração.

Pelo que, concluo o mesmo que Pacheco Pereira. Não se vendo nada de novo no PSD, faz-se pela vida, mede-se o pulso a quem está ou não com a Direcção e dão-se avisos aos distraídos, sejam eles deputados, assessores ou funcionários.

No entanto, para que depois e mais uma vez não oiça gente a chorar pelo leite que deixaram derramar, é bom que se lembrem que em 2009 a nova Direcção – sim porque nem sonhem que com esta ganham eleições legislativas – terá de gerir um grupo parlamentar que pouco mais será que uma emanação das cabeças de Menezes, Ribau e Santana Lopes e sufragada pelas bases. A task-force de Menezes é um óptimo exemplo.

Concluindo:  Quem não tiver coragem para ser algo hoje não se venha queixar amanhã. It’s that simple folks!