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Mudança ou Novidade

Novembro 4, 2008


Uma explicação para os resultados que se prevêem para Obama reside num fenómeno de adaptação do eleitorado.

Este reage de forma lenta a alterações súbitas e imprevistas na performance política dos candidatos, algo natural em sistemas complexos como se pode considerar o universo eleitoral.

Por isto mesmo, as alterações de natureza similar na acção de quem exerce o poder, tendem a ter pouca relevância a curto e médio prazo, como se viu na segunda eleição de Bush, sobretudo porque o nível de ruído e incerteza no eleitorado face à  acção política ainda era grande.

Tal coisa não se verifica hoje em dia, algo que favorece quem oferece uma alternativa, uma escapatória. A mensagem de mudança é então fundamental para determinar a vontade do eleitorado.

Quer isto dizer que McCain não tem hipótese?

É bem possível que não, algo que se pode aceitar se olharmos para as duas soluções apresentadas pelos partidos republicano e democratae onde encontramos contradições curiosas:

Sendo que, tanto o partido republicano como o democrata precisam de naturalmente manter um base grande de apoio, alterações súbitas e radicais de política podem ser prejudiciais, a tendência é para não arriscar e evitar qualquer ruído. Por outro lado o grau de incerteza gerado por certas alterações pontuais na vontade do eleitorado ou parte dele, fruto por vezes de um deficiente método de sondagem, pode levar a uma maior cristalização das políticas anunciadas.

Ora numa primeira análise, ficaríamos com a ideia que o partido democrata terá feito as alterações mais acertadas, eu acho que não fez nenhuma pelo contrário manteve-se inamovível nas suas posições mais conhecidas sobre os principais assuntos da política americana, nomeadamente a guerra. As escolhas de candidatos são fruto dessa maneira de pensar, o próprio slogan também. A única mudança anunciada será na cor do inquilino da Casa Branca, o partido não mudou nada mas trataram de demonstrar que estariam dispostos a apostar tudo para transmitir a ideia de mudança e não de rotatividade, a escolha de Obama foi do mais racional que se pode imaginar.

Já o partido republicano ao escolher Palin, ir buscar alguém como Joe the Plumber, é um exemplo perfeito da aplicação de dados locais e internos, regras simples, em vez de a utilização de sondagens mais amplas na procura de votos, isto porque foi obrigado a ir às margens e bolsas de eleitorados, diminuindo ainda mais a promessa de mudanças na forma de actuar politicamente.

A apresentação de Palin e o aproveitamento – ou encenação – do caso Joe the Plumber são exemplos de adaptabilidade do partido republicano, que se caracteriza como qualquer outro partido de poder pelo seu grau de racionalidade, só que aqui estes dois casos tinham como objectivo diminuir o grau de ruído criado pela nomeação de alguém que não se enquadrava nos cânones vigentes da actual corrente que domina o partido republicano e McCain era tudo menos o candidato ideal do eleitorado tradicional do partido, neste ponto podemos afirmar que as grandes mudanças foram feitas aqui e não no partido democrata, no entanto, passaram toda a campanha a tentar esconder esse facto com medo de perder o seu eleitorado.

Pode ter sido o seu maior erro. Podem ter ganho o eleitorado tradicional mas podem ter perdido o país.

Sarah Palin, Obama e os pastores.

Setembro 12, 2008

O que se passa com a reacção dos apoiantes do Partido Democrata na Europa a Sarah Palin, é similar à reacção dos mesmos face a Obama.

Obama, um maravilhoso orador, visto como uma promessa, a sua inexperiência é uma vantagem, um sinal saudável, de distanciamento, os sermões do seu ex-pastor um incidente menor.

Palin, um perigosa demagoga, vista como uma ameaça, a sua inexperiência um perigo, um sinal de total ignorância, os sermões do seu pastor um sinal do fim dos tempos.

O entusiasmo é tanto que até os alegados desmandos de Palin numa vilória onde o bibliotecário é uma segunda figura do Estado, é motivo para ser repetido até entrar na cabeça.

Imagem daqui

Cool it!!

Setembro 4, 2008

Rui Castro faz notar esta reacção de Obama a Palin.

Ai tanto briiiilho jaasus!!!

Setembro 3, 2008

Enganei-me, a sempre alguém que consegue ir mais além … Ana Gomes a escrever sobre as eleições americanas revela todo o seu deslumbramento pacóvio perante a política americana. Rendeu-se a isto e aquilo, ao ponto de alinhar naquilo que jamais admitiria noutras circunstâncias, o seu texto sobre Palin não é ofensivo porque quase cómico se tivermos em conta a fonte. Fosse Palin a vice de Obama e seria giríssimo ler o que dali sairia.

No fundo Ana Gomes é uma entertainer, não se lhe pode levar a mal porque precisa de palco e tanta luz e estalinhos deram-lhe a volta à cabeça…já  lhe passa.

Discursos

Janeiro 4, 2008

Via 31 da Armada chego ao discurso de Obama em Iowa. Um exemplo, mais um, da tradição oratória americana que fica a milhas de distancia de outros países – com raras excepções – e, nos tempos que correm por cá, a uma eternidade da oratória portuguesa.

Parecendo uma questão meramente formal tem sido completamente ignorada no nosso país, onde pontificam exemplos recentes que não passam de meras anedotas junto de qualquer candidato americano.

A verdade é que existem discursos que mudaram o rumo de uma campanha eleitoral, de um país e mesmo da nossa história, gostaria de um dia poder ver alguém falar assim aos portugueses.