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Mantra do dia: Lealdade não é obediência

Janeiro 10, 2009

Cavaco Silva não desistiu de ter duas eleições em simultâneo este ano.A hipótese de realizar legislativas e autárquicas no mesmo dia — um cenário que José Sócrates rejeita — continua em cima da mesa. Outro foco de tensão vai ser a lei que altera o voto dos emigrantes, que o PR
não vai aceitar. Os partidos políticos já estão a par das intenções de Cavaco, embora o diploma que põe fim ao voto por correspondência ainda não tenha chegado a Belém.

Expresso

Silêncio, calma…pois sim.

Setembro 12, 2008

“Manuela Ferreira Leite apanhou o PS com o pé em ramo verde. Os socialistas dificilmente escapam à suspeita de que estariam a tentar reduzir na secretaria a participação eleitoral dos emigrantes, uma vez que ciclicamente obtêm resultados inferiores ao PSD. Nada a dizer, portanto. Aparentemente Ferreira Leite tem razão na substância.

Quanto à forma, vejo que depois do comunicado em que se pedia a demissão de Rui Pereira, desta vez o PSD optou por uma conferência de imprensa. Parece-me muito mais adequado, embora me interrogue se faz sentido ser a líder a dar a cara nesta situação concreta. Será o tema assim tão importante que justifique uma das pouquíssimas intervenções da líder? Não me parece que bata muito certo com a estratégia exposta por José Pacheco Pereira segundo a qual Ferreira Leite “deveria falar não por regra mas por excepção”. Nem me parece que dê à opinião pública uma noção correcta das prioridades do PSD”

Estas interrogações do Paulo Gorjão fazem todo o sentido.

José Pacheco Pereira, é um homem suficientemente inteligente para saber as implicações do silêncio na comunicação. Manuela Ferreira Leite tem de saber exactamente quais as consequências das suas acções.

“Nunca se viu nada assim!” estremecem aqui e ali alguns comentadores pasmados com este “novo” fenómeno. Pacheco Pereira até aproveita e afirma genialidade da coisa, argumentando que os profissionais da comunicação andam muito zangados por se virem postos de parte nesta caminhada para o poder. Balelas!

Já se viu isto antes, já se fez isto antes e amanhã alguém vai se lembrar de fazer isto outra vez para poder dizer mais uma variante do patético “habituem-se!”.

Sócrates fez isso, Cavaco não faz outra coisa e são apenas os últimos exemplos de uma longa lista de cultores da seriedade na política.

Isto porque “o silêncio” é para eles sinal de seriedade, profundidade, prova inequívoca de quem pensa, se preocupa e está “magicar” coisas para resolver os problemas de todos. O silêncio não é só isso e pode ser muito mais.

Há um problema nesta história, na verdade vários problemas, pois o silêncio cria expectativas que se não forem cumpridas provocam um efeito boomerang sobre o autor, Manuela Ferreira Leite fez isso ontem e, no caso dela, o silêncio prolongado pode dar a ideia de hostilidade, insensibilidade ou, pior, passividade.

Enfim meninos, coisas menores que Pacheco sabe muito bem e de certeza tem acauteladas não fosse ele uma Agência de Comunicação com duas perninhas.

Matar passarinhos à canhonada

Julho 31, 2008

A questão constitucional é politicamente relevante que justifique a manobra mediática? Das duas uma, ou Cavaco quis matar uma perdiz com uma bala de canhão ou não era uma perdiz a quem a bala se destinava.

Nota: A resposta do PS é muito interessante e sobretudo reveladora. Ao remeter para o PS Açores uma primeira reacção vai ao ponto fraco da declaração presidencial, reduzindo a questão ao âmbito regional/local. Obviamente que esta forma de lidar com a declaração é prova que o alvo não eram os Açores ou a autonomia, para isso bastava ser Alberto Martins a reagir sozinho.

Bruno Alves tem alguma razão, tendo criado hoje um grande dramatismo em torno do novo Estatuto dos Açores, Cavaco pretende não só avisar os portugueses daquilo que não está disposto a aceitar mas foi apenas isso, já a ideia que Cavaco poderia dissolver a Assembleia sob o pretexto de que esta pretende introduzir medidas que afectarão o “regular funcionamento das instituições” é de um enorme exagero. Ontem Cavaco apenas disse o que não gosta, quanto ao que não aceita já é uma questão para se perceber mais tarde.