Archive for the ‘Ambiente’ Category

Ambientalismo Chic

Dezembro 7, 2009

A história do filme de Copenhaga vem exemplificar tudo aquilo que considero errado no tratamento da questão do aquecimento global e boa parte da forma com abordamos as questões do ambiente. Notem, não vejo mal que se recorra a uma imagem forte para fazer passar uma mensagem, a questão é que há quem defenda a tomada de decisões com base no que parece ser pura especulação e não provas. Há mais imagem que dados científicos, há mais politização do que a aceitação do mero direito a algum cepticismo.

O que há é sobretudo falta de humildade. Nos anos 60 previu-se a morte de milhões de pessoas em 1990, apenas nos EUA, porque o aumento da população daria origem, sem margem para qualquer dúvida, a uma fome universal. Nos anos 70 relatórios da ONU denunciavam a inevitabilidade de uma nova idade do gelo e a necessidade de um plano de contingência a nível mundial para “preparar” o mundo. Se não for o ambiente é só nos lembrarmos os milhões previstos e gastos em planos de emergência para fazer face ao bug do ano 2000 que, mais uma vez sem margem para dúvidas, ia enviar o mundo de volta para a Idade da Pedra.

Agora estamos soterrados em certezas absolutas que impõem que se nada for feito, uma impossibilidade lógica porque o mundo não pára apenas porque não anda tão depressa como nos convém, vamos morrer ora de sede, ora afogados, sempre ajudados (que é para percebermos bem os horrores que se avizinham) por algum filme-catástrofe abrilhantado pelo casal mais sexy de hollywood.

The Case for Skepticism on Global Warming

Março 24, 2009

I still believe that environmental awareness is desperately important. The environment is our shared life support system, it is what we pass on to the next generation, and how we act today has consequences—potentially serious consequences—for future generations. But I have also come to believe that our conventional wisdom is wrongheaded, unscientific, badly out of date, and damaging to the environment. Yellowstone National Park has raw sewage seeping out of the ground. We must be doing something wrong. Ler o resto aqui

Terror Tactics

Janeiro 28, 2009

Se a humanidade acabasse hoje com as emissões de dióxido de carbono, só dentro de mil anos é que o clima do nosso planeta voltaria ao normal. Cientistas pedem que se actue o mais rapidamente possível para impedir o piorar da situação… esta espantosa conclusão vem na secção ciência do DN de hoje.

Vejam bem a forma como a frase está construída, o dramatismo, a certeza e a inacreditável estupidez das afirmações:

“Humanidade”, “todas as emissões de dióxido de carbono” “hoje” (a urgência da coisa), mesmo assim, mesmo com esse acto impossível, só daqui a a mil anos, um bom e redondinho número, é que estariamos safos dos nefastos efeitos que andamos a provocar. Os cientistas (assim mesmo) dizem que temos de agir rapidamente (outta vez a urgência da coisa) para impedir que essa coisa piore.

Quem afirma isto e mais, porque na op ião dela não há nada a fazer, é nada menos nada mais que a vencedora do Nobel, em conjunto com todos os membros do IPPC e mais o Al Gore, a senhora Susan Solomon. para ela o aquecimento global é “irreversível” e nem mil anos serão suficientes para apagar aquilo que a humanidade tem feito ao planeta. “As pessoas pensavam que se deixássemos de emitir dióxido de carbono o clima voltaria ao normal dentro de cem ou 200 anos. Isso não é verdade”, as mudanças na temperatura da superfície dos oceanos, no nível de precipitação e no aumento do nível das águas “são em grande parte irreversíveis, por mais de mil anos depois das emissões de CO terem parado completamente”. Giro não? Passamos de irreversiveis para em grande parte irrreversiveis. Afinsla alguma coisa pode ser feita e que coisa é essa? Parar. Parar tudo e já.

Quem é que lucra com estes disparates? A própria cientista nos diz que chegou agora à conclusão que estávamos a ver tudo mal, afinal não bastariam 100 anos ou 200 para a coisa normalizar se parássemos tudo agora, só que agora já tem a certeza de tudo, há uns meses imagino que tambem teria mas afinal estava enganada e por aí a diante.

O que temos aqui é o mesma e repetitiva falta de humildade perante a natureza e a enorme capacidade de renovação do planeta em que vivemos. No fim serão vertidos mais uns milhões para mais umas dezenas de organizações pseudo-ambientais que repetirão os mesmos passos já feitos, compilarão umas dezenas de milhares de páginas de magnificas conclusões. Provavelmente sobre a a iminência inequivoca e fatal de uma nova idade do gelo.

O arredondamento do quadrado

Dezembro 5, 2008

Muito engraçado assistir à Quadratura do Círculo, Lopo Xavier fez uma defesa brilhante da escolha de Manuela Ferreira Leite enquanto alguém que corporiza o oposto do tipo de actuação política levada a cabo por José Sócrates. A quase aversão pelo espaço mediático versus a obsessão pelo mesmo.

Pacheco Pereira, que podia ter pegado neste argumento, que tem algumas falhas mas é suficientemente bom para passar bem, mas não. O que fez Pacheco Pereira, resolveu cair no erro de dar exemplos da dualidade de tratamento mediático dado pelo DN e o Público a iniciativas como a apresentação do IFSC e o que ele chamou “as banalidades” de Passos Coelho.

Foi quando Lopo Xavier lhe chamou a atenção que Pacheco Pereira dera a sua opinião sobre a situação de Dias Loureiro no mesmo dia e que isso, de facto, ofuscara a notícia do renascimento do IPSD. Pacheco Pereira não é nenhum tonto para não saber as regras mais básicas da comunicação e que ele cometeu aqui um erro.

Note-se, não tenho por Pacheco Pereira aquela aversão típica de algum PSD que lhe leva a mal o seu estilo critico, reconheço-lhe a sua vasta cultura e o seu papel no PSD ao longo dos anos, mas reconheço-lhe também uma reacção emocional a Passos Coelho que aparentemente justifica que se dirija a este “adversário” desclassificando-o como puder, o que é de resto um tipo de argumentação com a qual ele tem especial antipatia que me recorde.

Ao fim destes anos, Pacheco Pereira tem suficiente experiência política para evitar estes tropeções, sendo que é especialmente caricato assistir por parte dele ao uso de uma argumentação que julgava típica do consulado menezista, sendo que a este propósito MFL devia agradecer cada uma das vezes que Menezes a critica pois é coisa que só lhe cai bem.

O Visigodo Azul

Agosto 27, 2008

Este texto, escrito para A Razão das Coisas, estava irremediavelmente perdido mas o meu cunhado teve a amabilidade de me o encontrar, guardou-o sabe se lá porquê. Aqui fica este singelo episódio.

Mal chegara a casa do meu sogro, notara com preocupação uns gravetos de madeira espalhados no quintal. Disfarcei e não falei no assunto, desconfiado que o meu sogro me encarregaria da tarefa de limpeza mais tarde ou mais cedo. Adivinhando a minha preocupação, o senhor da casa, tratou de atravessar o corredor e aparecer ao meu lado com o tradicional sorriso que se poderá traduzir numa frase: “tenho aqui um trabalhinho para daqui um bocado”.
Note bem o leitor que o meu sogro é um homem justo e não gosta de deixar ninguém na dúvida pelo que tratou de traduzir o sorriso pelas palavras acima escritas, palavrinha por palavrinha. E ali ficou a contemplar os gravetos.
O leitor deve já ter adivinhado que os gravetos eram coisa pesada. Deixem-me elucida-los no seguinte ponto: cada graveto consistia numa tábua de cerca de dois metros de comprimento por cinquenta centímetros de espessura, restos de um desgraçado carvalho que por ali parava e se via agora às postas no quintal. Duas toneladas e meia de tabuinhas para movimentar.
Nestas coisas também já estou treinado e disparei em direcção às tabuinhas. Peguei numa ponta e tratei de a içar. Fiz questão de pegar na que me pareceu mais pesada e esperei pelo meu sogro que tendo avaliado o peso da outra ponta prontamente concluiu que a coisa merecia mais uns dias para orçamentar.
“Um a zero!” Pensei com um ar satisfeito enquanto fingi não me arrastar até casa. Desatei a falar de um tractor, maquinaria pesada e coisas do género. A coisa pareceu passar e os gravetos lá ficaram uns dias.
Dias que se passaram bem mas depressa e com maior preocupação que antes verifiquei que o Senhor Artur, minhoto encarnadinho, passava pelos ditos gravetos em direcção à quinta, como se nada fosse. Não via preparativos nem nada. Temia o pior. E o pior veio na forma de um guindaste vestido de fato de treino e boné azul que mal encaixava numa cabeçorra enorme.
“Pois querias um tractor aqui tens o que de mais parecido posso arranjar em tão pouco tempo” Pareceu dizer o meu sogro, pareceu porque não disse mas sei que pensou porque só não desatou a rir com a minha cara por simpatia para com o meu cunhado que, apanhado distraído, foi alistado na empresa.
“É ele que nos vai ajudar?” Perguntei. “É pois! É um touro de força, tanta como um tractor. E não lhe fica atrás em inteligência!”
Olhei com respeito para o colosso que olhava com ar inteligente para as tabuinhas, cada uma de uns duzentos e cinquenta quilos. Um metro e noventa, uns cento e poucos quilos, umas pás a fingirem de mãos, um crânio adornado de olhos pequeninos e uma barba talibã.
“Atão bamos lá lebar estas cousas” Disse com um ar distraído quando se punha numa das pontas.
Ora, eu sou boa pessoa e nestas coisas faço fé na bondade das pessoas, mas cada tronquinho daqueles precisava de duas bestas iguais àquela em cada ponta.
Era muita fé e duvidei.
Duvidei mas mal, porque estava eu e o Senhor Artur numa ponta, munidos de uma barra de ferro a fazer de suporte, de músculos a estoirar e já o visigodo azul perguntava inocentemente porque estávamos tão paradinhos.
Olhei para trás e vi os nossos antepassados, os que Camillo lembrou quando contemplava o seu arcaboiço e o comparava às férreas caixas torácicas d’aqueles selvagens, admirando a sapientíssima providência que deu pulsos de bronze a uma geração que estrangulava sarracenos e músculos de algodão em rama a ele e já agora, a mim.
Lá fomos nós, tonelada a tonelada arrastámos as tabuinhas para outro lugar e empilhamos, cientificamente, as ditas umas por cima das outras. O Senhor Artur, eu e o meu cunhado lá nos revezámos quando sentimos qualquer coisa a estalar na espinha ou algum tendão a estoirar. Na outra ponta seguia feliz e contente o visigodo azul que a dada altura pediu para parar.
”Deus! Afinal tudo tem limites!” Pensei.
O tractor precisava de lubrificação, que eu lhe trouxe na forma de uma superbock e que ele fez desaparecer em exactamente 9.8 segundos, ficando a olhar para mim com o mesmo ar inteligente que descortino numa vaca barrosã.
O meu cunhado sussurrou que devíamos ter trazido uma garrafita de litro, por uma questão de respeito pelas proporções. Antes sequer de eu ter tempo para entreter tal pensamento já o visigodo azul estava agarrado a outro raminho, enquanto o Senhor Artur lembrava com carinho como o tractor que trouxe as tabuinhas vinha com atrelado feito em fanicos porque se excedera as duas toneladas e meia de carga.
Foi mais uma boa meia horinha de puro desespero até ao fim. O visigodo azul disse que tinha fominha e saiu, não sem deixar de me dar um aperto de mão que liquidou as minhas perspectivas em me tornar um razoável pianista.

Na varanda sorria o meu sogro acenado a cabeça em aprovação e depois retirou-se. Eu sentei-me e olhei com carinho para o meu cunhado que se arrastava a caminho de casa. O Senhor Artur desapareceu agarrado ao que restava de uma cerveja. Fiquei ali sozinho a olhar para os peixes do lago que comigo tiveram o privilégio de assistir a tal feito que ficará esquecido nos anais da história. Diria mesmo da História.

Conformismo

Abril 3, 2008

Óptimo post do AMN

Há quem goste de pregar o Estado laico enquanto abertamente defende que este adira às modernas religiões, assentes também na esperança de um mundo de homens bons, como a ecologia ou o higienismo. E há quem, a propósito de um Estado laico, se entretenha a defender o laicismo da sociedade. Uns e outros são os modernos ditadores do nosso tempo. Gostam demasiado de exercer o poder para comandar as nossas vidas. Para o nosso bem. Para a nossa salvação. 

Há aqui uma questão muito curiosa. Qual é o mecanismo, se existe um, que determina que certas pessoas julguem necessário afirmar  que elas é que sabem como todos os outros se devem comportar, ou mesmo o que determinou o nível de confiança necessário para imporem a sua visão do mundo como a única possível ou aceitável. Por outro lado, os exemplos muitíssimo actuais de AMN fazem-me pensar que existe na sociedade  actual, por várias razões que vão desde a simples falta de tempo para aprofundar o que nos é dito até à histórica dependência de uma organização que exerça uma tutela sobre as nossas vidas, uma pouco saudável tendência para viver num Estado totalitário ou no mínimo uma pulsão colectiva para o conformismo.

Epá?!! Chiuuu!

Abril 3, 2008

O Instituto de Conservação da Natureza deu parecer desfavorável ao aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete 

Ora bem, portanto, quer-se dizer, a passarada estava habituada ao tiroteio, já sabia que por ali os ares não eram os mais saudáveis, agora aviões a baixa altitude é que já não. Bolas! Uma coisa é balas, um pássaro nem a vê!! Aquilo é zuuummm!!! Fsiuuuu!! Se levar com uma no bico, pronto. Também não se vai queixar a ninguém.Já a barulhada daqueles aviões, VUMMMMMMM, não há ouvidos que aguentem… Falta de pachorra!

Michael Crichton e o aquecimento global

Março 4, 2008

Depois de ver este excelente post, lembrei-me disto. 

Michael Crichton, um dos mais conhecidos escritores norte-americanos, disse e escreveu sobre o Aquecimento Global  e o Ambientalismo como religião.

esta é a primeira parte de uma entrevista, seria bom alguns iluminados darem-se ao trabalho de verem o resto, está no Youtube. Acho eu.

Nota: este é óptimo também.

O esquentamento global

Janeiro 6, 2008

É hoje claro para todos que o aquecimento global é uma certeza, que a actividade humana é a sua causa directa e que só um esforço concertado e decidido de governos e cidadãos para diminuir esse problema, através da implementação de uma legislação que proteja o ambiente e promova comportamentos mais ecológicos pode evitar a tragédia iminente. Este tem sido o discurso oficial, apoiado pela indústria ligada ao ambiente e um dos maiores e melhores negócios do momento (acima dos 200 biliões de dólares só nos EUA), onde qualquer ex-ministro ou político atento tem ou quer ter um lugar e de preferência na administração.

Mas será assim?

Nem todos os cientistas partilham desta opinião, uma boa maioria considera que não existem dados suficientes para servir de base a tantas certezas, os próprios modelos adoptados são imprecisos, não existem meios suficientemente poderosos para registar e tratar os dados em conformidade com esses mesmos modelos.

Na base deste raciocínio está uma velha tradição que alguma parte da comunidade muito preza, nos tempos que vivemos e em face dos avanços feitos na ciência, é perfeitamente possível afirmar a absoluta certeza das conclusões a que chegamos.

No passado foram dadas certezas no campo da física, medicina, etc… que se vieram a revelar estupidamente erradas, o frenesim à volta do aquecimento global talvez merecesse mais alguma moderação.

Nota: Leiam um resumo do que 400 dos mais renomados cientistas e climatologistas escreveram ou disseram sobre o aquecimento global