nau fore somesing camplitli difarante

Sou um fã – não fanático e raro consumidor hoje em dia – de bandas desenhadas. Sei bem que me ficaria a matar espetar com as habituais referencias a Moebius e 324 autores belgas mas, confesso e com excepção dos tradicionais Asterix, apenas fui fiel ao Blake & Mortimer.

O resto, que vergonha, reduziu-se aos super-heróis da Marvel e DC ainda que com algum critério nas escolha, sobretudo relacionada com autores e desenhadores específicos e menos com os heróis. Houve excepções.

Alguns heróis nunca me “disseram” nada, caso do conhecido Capitão America – um super-soldado americano que usa a bandeira como unforme. Nunca percebi a razão de ser do personagem, nada nele era interessante e – mais uma vez – foi preciso que dois génios deste género pegarem nele durante menos de 6 páginas para o Capitão ter algum interesse.

Foi nos anos 80 pela mão de Miller e Mazzuchelli durante a elaboração de uma das obras primas da Marvel: “Born Again” que julgo foi traduzida para português sob o título a Queda de Murdock.

darede04“Born Again” conta a história da queda e renascimento do herói Demolidor (Daredevil), o filho de um pugilista irlandês criado na Hell’s Kitchen, cego num acidente em criança que adquire super-poderes (uma espécie de radar e hipersensibilidade) tornando-se um advogado famoso e bem sucedido de dia e um combatente do crime à noite. Cego, salta de prédio em prédio, sem mostrar medo. Só que o medo está lá e Miller e Mazzuchelli trataram de nos mostrar onde.

Miller e Mazzuchelli escolheram não se socorrer do homem com o fato de diabo mas do advogado para contar a sua história e provar que se o herói não tinha nada a temer já o homem que subira na vida a pulso era uma presa fácil. A identidade secreta é revelada a um chefe mafioso que resolve dar início a uma série de acontecimentos que resultam na queda do advogado. Ao longo de 2/3 da história assistimos à lenta destruição do homem, fica sem dinheiro, sem casa, sem namorada, sem licença para exercer advocacia, sem amigos, sem esperança. Os dois autores fazem a personagem cair na total e mais absoluta miséria, para provar a premissa que “um homem sem esperança é um homem sem medo”. Só quando já não existe outra solução, nem mais nada a perder, é que Murdock volta à sanidade e a vestir o seu fato.

6a00d8345158e369e200e553bbfa108833-450wiMesmo no fim da história, quando Matt Murdock volta a Hell’s Kitchen e volta a vestir o seu fato de super-herói aparecem os Vingadores. Há um duplo significado nessa presença: Miller e Mazzuchelli sublinhavam que a aposta comercial da Marvel na marca “Vingadores” podia ser muito maior da que fora feita na marca “Daredevil” mas que o potencial para grandes histórias esava precisamente nesta última história. Por outro lado, é então que ambos provam que um personagem unidimensional como o Capitão America podia ser interessante se a Marvel se deixasse de parvoiçes e fizeram-no de forma brilhante.

O Capitão America aparece então como um homem amargurado, consciente que os valores que ele coloca acima de todos não merecem nenhuma atenção das novas gerações. Num frenesim de violência em Hell’s Kitchen causado por uma versão actualizada de um super-soldado como ele, um psicopata dependente de estimulantes químicos, o Capitão America intervem porque o criminoso ostenta o mesmo símbolo que ele, a bandeira norte-americana tatuada no rosto. Todo o potencial do personagem está ali, quando Murdock, que é cego, pergunta a Rogers (o nome civil do Capitão America) o porquê do seu interesse naquele psicopata, ao que este responde “porque ele usa a bandeira”. Murdock retira-se afirmando que não o havia notado.

Miller e Mazzuchelli desenham então um Capitão America em silhueta, completamente só, a dizer que já ninguém liga à bandeira ou por outras palavras já ninguém é leal ao Sonho.

Estas foram as únicas páginas decentes que foram desenhadas para o Capitão America. Porque é que me lembrei disto agora? Não faço ideia.

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