Pacheco Pereira e os contrapontos

Estive a ver, com muita atenção, o novo programa de Pacheco Pereira na SIC-N. Em primeiro lugar é preciso que se diga que Pacheco Pereira é, há muito tempo, um household name mas mais que isso é alguém que considero um bom comunicador, culto e bem preparado. É fácil ouvi-lo.

O programa está aqui. Pessoalmente e apenas quanto à forma não gosto dos “separadores” estridentes mas é uma coisa cá minha e é curto, demasiado curto.

Há quem esteja muito chocado com esta oportunidade mediática de Pacheco Pereira, eu não. Entre ele e as variadas formas com que a esquerda usufrui nos media para passar a sua mensagem há ainda um desequilíbrio muito grande na balança em claro favor da esquerda.

Por outro lado, como de resto faço todos os dias e com outros blogues, li mais um dos seus posts no Abrupto. Mais uma vez Pacheco Pereira resolve mostrar aquilo que ele acha que melhor ilustra a diferença entre a imagem e as ideias, mais precisamente entre o político com ideias que não é necessariamente alguém com imagem e o político com imagem mas que ele diz não ter ideias. Para tal vai buscar alguns exemplos a começar com Winston Churchill.

Ora acontece que Winston Churchill não foi um político qualquer em nenhum sentido da palavra, nem no conteúdo nem na imagem e tenho sérias dúvidas que Churchill não obtivesse igual sucesso nos dias mediatizados de hoje até porque era alguém que cultivou, metódica e quase cientificamente, um sentido muito forte da importância da imagem.

Desde muito novo fez tudo o que pode ao seu alcance para estar nas “luzes da ribalta” e fê-lo consciente da importância que essas “luzes” tinham. Os meios eram diferentes dos de hoje e obrigavam a algum trabalho, mas não faltaram favores – pedidos por ele ou pela sua mãe – a vários jornais para publicação de artigos, trabalhos jornalísticos, autobiografias, etc… Ou seja, Winston Churchill, sendo um homem com conteúdo, corajoso até fisicamente, era também alguém com uma grande consciência da sua imagem e da importância da imagem na política, foi talvez um dos primeiros políticos com uma agenda mediática estudada e preparada ao longo de anos.

Apresentá-lo como uma espécie de exemplo de má imagem vs bom conteúdo é um erro que só se justifica por preconceito de Pacheco Pereira mais do que por ignorância, justificação que eu não lhe concedo. Não faltam estudos, livros, papers vários que se dedicaram à análise deste cuidado que Churchill punha em tudo quanto era público sobre ele, sobre a sua imagem e reputação. Mesmo que assim não fosse bastaria ler as suas várias biografias políticas e de vida para o perceber.

Foram muitas as qualidades, mas este cuidado na imagem também, que lhe garantiram uma sobrevivência política para alem do que seria de esperar até ao momento em que assumiu os destinos de uma nação em guerra, depois foram qualidades de liderança muito próprias e que pouco tem que ver com a sua idade mas onde nem aí esse aspecto mediático esteve ausente, recorde-se o seu gesto mais famoso e que por si só valeu um discurso inteiro, quando na hora mais difícil e sem encontrar palavras para dar coragem aos seus concidadãos ergueu a mão e fez o sinal do V de vitória.

Posto isto, estou em crer que Churchill seria hoje em dia um político com igual sucesso e capacidade de intervenção.

Para terminar, Pacheco Pereira, junta no mesmo saco os seus ódios de estimação para fazer o contraponto a Churchill: Sócrates, o novo porta-voz do PS – tal como foi apresentado pelo Expresso – e um antigo ódio, desde os tempos da Distrital de Lisboa, Passos Coelho. Ora acontece que eu não dando o benefício da ignorância a Pacheco Pereira sobre a figura de Winston Churchill muito menos a dou sobre Passos Coelho. Em qualquer dos casos (deixo de fora Sócrates, Tiago Silveira e o Expresso) Pacheco Pereira joga deliberadamente na ignorância de quem o lê, torcendo a realidade para melhor se adaptar aos argumentos com visa convencer e influenciar. Sim, porque Pacheco Pereira não está fora neste jogo, nem quer estar, pelo que não se deve espantar se outros o tratarem nos mesmos termos e com a mesma parcialidade que ele o faz.

Sobre o tema da renovação da bancada parlamentar do PSD repito o que aqui já escrevi, sem fingir ingenuidades e muito menos recordar exemplos de virtudes que não são únicas ou sequer originais.

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