Consentimento e racionalidade

Vasco Campilho, no seu estilo que me habituei a reconhecer, coloca a questão de se saber se a legitimidade de um procedimento democrático não se baseia no consentimento nem na racionalidade, baseia-se em quê?

Creio que parte da resposta está no seu próprio texto. Tanto na descoberta do interesse geral como na agregação óptima dos interesses particulares, existem problemas a dirimir.

Não sei se é intenção do Vasco, mas parece-me que chegamos à teoria da ignorância racional da escolha do votante, onde se postula que: se o esforço de adquirir informação sobre o assunto em cima da mesa é maior do que as potenciais vantagens em adquirir essa mesma informação, sentindo que o seu voto individual tem um peso diminuto, a escolha que o votante faz de se manter ignorante dos assuntos que estão em causa, é absolutamente racional.

Parece-me, no entanto, que este ponto não se aplica em todos os assuntos e em todos os momentos, mesmo num só acto eleitoral. Esta racionalidade, ou esta escolha consciente por se manter ignorante, é muitas vezes ultrapassada pelos preconceitos do próprio votante sobre vários assuntos, sendo que neste caso ele não “escolhe” ficar à parte, não prefere o conforto da ignorância, votando muitas vezes por militância, ou por empatia. Verifica-se que o votante já tem a sua ideia preconcebida sobre o assunto, muitas vezes resultando numa defesa das suas posições que se revela afinal muito pouco esclarecida, recorrendo sobretudo a argumentos demagógicos, no fundo é a irracionalidade consciente do votante em todo o seu esplendor.

O caso mais óbvio é aquele em que, numa qualquer eleição, o assunto que a domine seja a política económica e laboral, isto porque parece existir um total divórcio entre o que os peritos na área defendem e aquilo que são os pontos de vista do leigo. Onde o primeiro vê o criar de melhores condições para o funcionamento do mercado de emprego, o outro vê despedimentos em massa.

No entanto, a questão permanece sem resposta, embora exista uma outra resposta alternativa ainda não avançada mas que a história já confirmou e que pode chocar alguns espíritos mais sensíveis: A violência.

Já lá chegaremos.

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