Não responder a nada não é menos esclarecedor

Num artigo do Almeida Leite, como sempre, ficamos a saber que Ângelo Correia, não gostou de receber “uma carta não assinada” dos dez Secretários-Gerais, que se “um deles podia ter assinado e também não compreendo porque pedem mais tempo para discutir se nem sequer quiseram vir ao partido discutir a reforma. Nem antes nem no CN. Se quisessem, podiam ter endereçado um pedido para participarem”.

A questão de a carta estar ou não assinada é um pormenor irrelevante e que só faria sentido se afinal não estivéssemos a falar de 10 mas de apenas 5 pessoas, por exemplo, que deliberadamente estivessem a enganar todos. Não é o caso.

Foram realmente 10 que acordaram no conteúdo da carta e sobre aquele assunto. Facto por si só Ângelo Correia sabe muito bem que é muito revelador.

Já a acusação de Ângelo Correia é coisa de manuais e vale zero, não se compreende que qualquer discussão sobre o funcionamento só possa ter lugar na sede ou no CN, corrijo, eu até compreendo que se afirme tal coisa quando a discussão está na rua, nas secções e nas distritais, fora de qualquer forma de controle.

Ângelo Correia, não se poupando, vê um regresso aos tempos de Cavaco e Sá Carneiro nas alterações propostas. É muito inteligente utilizar os dois momentos mais significativos da história do PSD e que tanto emocionam o militante de base, no entanto, não só esse regresso não passa de uma opinião de Ângelo Correia – que nem sequer me parece muito correcta do ponto de vista puramente técnico – como nem sequer me parece que esse regresso seja possível, tanto mais não seja porque todo o corpo legal onde se sustenta o financiamento partidário sofreu alterações que não se compactuam facilmente com esse suposto regresso ao passado, por muito aliciante que ele pareça a alguns. Só que, de repente, já estamos a falar de financiamento e não do que está em causa… do método que se vai aprovar e que a lei não permite, mas até para o evidente há uma explicação.

Assim, a melhor resposta é dada não a Francisco Almeida Leite mas a Miguel Fernandes, presidente da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, que afirmou que “a legislação diz que não pode haver pagamento em dinheiro, em notas e moedas. Só são aceites pagamentos que deixem rasto, como cheques, Multibanco, etc”. Ora o Presidente do Congresso chuta para a bancada e nem sequer para canto quando pergunta, ”O euro circula em toda a Europa, em todo o País, mas não pode entrar no PSD?” e mistura com diligência um problema de caixa com um problema de legalidade, pois como ele sabe que o tal rasto nunca ficará garantido com o pagamento a dinheiro. A não ser que ele imagine um processo em que cada recibo só possa ser entregue contra a exibição do BI… pois.

Já Ribau Esteves, que Marcelo elogiou cedo demais, afirma muito singelamente que “não pode qualquer grupo de dez militantes pôr em causa o que dezenas de milhares de militantes decidiram”…porquê? Porque ele acha que não pode? Nem Ribau Esteves saberá.

Tanto ele como Rui Gomes da Silva, vice-presidente do PSD, tentam vender a ideia de uma legitimidade dupla neste assunto, quer pelo voto quer pela alegada discussão, pública e longa, das tais propostas. Ambas afirmações que só fazem sentido se esta Direcção não tivesse sido eleita por queixas sobre a falta de transparência destes processos e sobretudo da falta de esclarecimentos aos militantes mas foram, Os pins não eram argumento eram um exemplo para o argumento, mas Gomes da SIlva e Ribau sabem bem que nestas coisas o diálogo é contraproducente.

 

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