| Acrílico e fotografia, 50×70 cm.Ponte da Barca |
Não queria mesmo incomodar a esforçada tentativa do Paulo em não se meter na conversa do Vasco com o Pedro, tropecei. Foi sem querer. Mas já agora que entrei, dá para ver o que tem sido e será a agenda do CDS-PP. Não queria abusar das coincidências que apenas o são, mas a nervoseira é tanta com a perspectiva de uma vitória de Passos Coelho que reina o mais perfeito disparate num partido que muito tem ganho com a extraordinária inépcia das lideranças recentes do PSD e muito mais tem a ganhar com a manutenção do actual estado de coisas. Se calha o PSD levantar a cabeça será uma questão de tempo, até vermos o PP “crivado de disputas pessoais e permanentemente à beira da implosão” com as saídas e reentradas do único líder possível.
But dont mind me, sou eu que implico com tudo e tenho mau feitio, é que assim de supetão qualquer dia ainda vejo o Paulo a exaltar as qualidades de Pacheco Pereira para perceber as horripilantes conspirações, sempre inevitáveis, entre jornalistas e o poder político. O poder político que não ele, obviamente.
Em 1989, quando os últimos soldados da hoje extinta União Soviética, retiravam do Afeganistão. Para trás ficava um país feito em ruínas, 20 anos de guerra contínua tinham destruído toda a sociedade civil afegã, o sistema de clãs e a família, elementos fundamentais para assegurar o necessário apoio económico e social numa economia que como o país era árida.
No fim da década de noventa, no Afeganistão, 18% dos recém-nascidos não sobreviviam ao parto e 1/4 das crianças morriam antes dos 5 anos de doenças facilmente tratáveis em países do mundo desenvolvido. A esperança de vida não ultrapassava os 40 anos, 29% da população tinha acesso à saúde, 12% a água potável.
Durante a guerra grande parte das estruturas necessárias ao funcionamento do país fora destruída, escolas foram destruídas no Afeganistão rural, afectando mais de 60% das crianças afegãs e a chegada dos Talibãs veio piorar a situação. Ao entrar em Cabul fecharam cerca de 60 escolas, pondo na rua 11 mil professores, 8 mil era mulheres, 100 mil raparigas e 150 mil rapazes. Fecharam a Universidade com 10 mil alunos, 4 mil eram mulheres.
Todos sabemos o que se seguiu, ou pelo menos sabemos parte: A Sharia substituiu a necessidade de qualquer Constituição. A visão radical do Islão não podia ser de forma alguma questionada, polícias de costumes sem qualquer formação ou pelo menos uma formação rudimentar nas madrassas do Paquistão, vigiavam as ruas. O desporto que nunca foi totalmente proibido tinha regras simples para se poder assistir. Nenhuma mulher podia estar presente, não se podia bater palmas e o único grito de incentivo às equipas que se podia proferir era “Allah-o-Akbar”. Música e até papagaios de papel foram proibidos
Em 1996 a ONU pediu 124 milhões de dólares para a ajuda ao Afeganistão, foram aprovados 65 milhões, em 97 foram pedidos 133 milhões e aprovados 43% desse valor, em 99 já só se pediam 100 milhões mas já era tarde e o mal estava semeado.
Hoje é o dia de Nossa Senhora da Conceição, dia de festa desde o Século XV foi por D. João IV e perante as Cortes de 1646, celebrada Padroeira de Portugal e assim confirmou o lugar da mais antiga evocação da Mãe de Cristo em Portugal e a quem os portugueses tantas vezes recorreram em horas de aflição. Uma devoção antiga que a decisão de Pio IX, quando definiu a Imaculada Conceição como dogma em meados do Século IX, parece celebrar.
Hoje é um dia de festa, não é um dia qualquer.
A história do filme de Copenhaga vem exemplificar tudo aquilo que considero errado no tratamento da questão do aquecimento global e boa parte da forma com abordamos as questões do ambiente. Notem, não vejo mal que se recorra a uma imagem forte para fazer passar uma mensagem, a questão é que há quem defenda a tomada de decisões com base no que parece ser pura especulação e não provas. Há mais imagem que dados científicos, há mais politização do que a aceitação do mero direito a algum cepticismo.
O que há é sobretudo falta de humildade. Nos anos 60 previu-se a morte de milhões de pessoas em 1990, apenas nos EUA, porque o aumento da população daria origem, sem margem para qualquer dúvida, a uma fome universal. Nos anos 70 relatórios da ONU denunciavam a inevitabilidade de uma nova idade do gelo e a necessidade de um plano de contingência a nível mundial para “preparar” o mundo. Se não for o ambiente é só nos lembrarmos os milhões previstos e gastos em planos de emergência para fazer face ao bug do ano 2000 que, mais uma vez sem margem para dúvidas, ia enviar o mundo de volta para a Idade da Pedra.
Agora estamos soterrados em certezas absolutas que impõem que se nada for feito, uma impossibilidade lógica porque o mundo não pára apenas porque não anda tão depressa como nos convém, vamos morrer ora de sede, ora afogados, sempre ajudados (que é para percebermos bem os horrores que se avizinham) por algum filme-catástrofe abrilhantado pelo casal mais sexy de hollywood.
José Sócrates, proclama um novo socialismo, armado de frases feitas, soundbites e powerpoints, de dedo espetado, conduz Portugal resoluto e decidido para o mais mal cheiroso dos pântanos.
A responsabilidade que pesa sobre o PSD é enorme, só ele separa Sócrates de mais um mandato em S. Bento.
Hoje, já só Sócrates acredita nos seus powerpoints, já só ele acredita que basta prometer.
Detesta a critica e abomina a verdade, para ele o tempo é um inimigo, para nós um triste testemunho das oportunidades que perdemos.
O PSD não tem receio de apresentar aos portugueses a realidade tal como ela é. Apresentar os factos e números que trazem a marca de uma governação suicida e autoritária.
Os portugueses merecem mais que isto, que esta ilusão de que um dia o Estado os salvará. Os portugueses devem saber que é este Estado que os está a condenar. Os portugueses devem saber que a realização dos seus sonhos e ambições não se têm lugar porque o Estado não deixa.
Não é possível falar de desenvolvimento sem liberdade, não é possível falar de liberdade sem uma economia verdadeiramente livre.
Só uma economia livre da asfixia de uma carga fiscal brutal, livre de um sistema fiscal que é cada vez mais complexo, livre de uma burocracia que nenhum simplex veio resolver, pode criar postos de trabalho, riqueza e desenvolvimento.
Não tenhamos ilusões, sem que isto seja feito não há futuro apenas um regresso ao passado.
Sócrates não só foi incapaz para resolver estas questões mas agravou-as com uma barragem de compromissos que violou e uma montanha de promessas que quebrou.
Incapaz de explicar a sua incompetência agarrou-se ao passado, procurou nele justificações para as falhas do presente sem perceber que assim condena o futuro.
Cabe ao PSD resgatar esse futuro, consciente do seu passado, mas não agarrado a ele, capaz de olhar para os sacrifícios que se adivinham sem medo.
Um PSD que sabe que ao Estado cabe proteger mas não asfixiar, ajudar mas não iludir, garantir e não prometer.
Um velho político de outras paragens disse um dia a um opositor que se este parasse de dizer mentiras sobre ele, também ele pararia de dizer a verdade sobre o opositor. A política tem muitas vezes coisas destas, momentos em que devemos respirar fundo e oferecer o cachimbo da paz, mesmo se ele significa não dizermos as verdades.
Obama voltou a sublinhar aquela que devia ter sido a prioridade absoluta na guerra contra o terrorismo. O envio de tropas para o local que constitui o verdadeiro foco do terrorismo global e que, ao contrário de outras organizações terroristas mais politizadas, tem como agenda a execução de actos de agressão que impliquem a morte do maior número de pessoas possível.
Passo a explicar: ao contrário da Al-Qaeda, outras organizações terroristas têm ambições a nível regional e político que não são compatibilizáveis com perdas de vidas humanas ao nível de um 11/09. A execução de um atentado dessa magnitude implicaria a imediata perda de apoio internacional e regional para as suas causas, uma inevitável perda de apoio financeiro que significaria o fim das mesmas organizações.
Esse obstáculo não existe para a Al-Qaeda, cujas fontes de financiamento se tem gradualmente tornado menos visíveis no sistema financeiro, retornando ao tradicional acordo verbal e cuja validade (aos olhos do seus membros) não é objecto da mais vaga discussão.
A Al-Qaeda não visa a substituição de regimes ou o apenas o fim da existência do Estado de Israel, os operacionais – pelo menos os originais – de Bin Laden foram recrutados de um cenário pós-guerra, dos campos de refugiados na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão, onde a média de idades não ultrapassava os 32 anos, onde o Corão foi ensinado por gente que nem sabia ler, doutrinados na mística do guerreiro sagrado cuja missão última era a imposição do Corão pela força e no conceito do martírio, hoje nada mudou. Estes jovens não olhavam e nem olham para o ocidente à procura de diálogo. Não há diálogo possível com os que não obedecem à sua visão das palavras do Profeta, sejam ou não muçulmanos.
A forma como estes jovens, velhos aos 20 anos de idade, olham para a sua terra é muito reveladora: A sua localização torna-o um corredor entre o Irão, toda a região árabe, a Índia e entre a Ásia Central e o sul da Ásia. Para eles, a sua terra é, como nas palavras do poeta indiano Iqbal, o “coração da Ásia”. O próprio terreno, célebre pela mistura entre sistemas montanhosos áridos e vales luxuriantes, tornaram-no num lugar onde nascem lendários guerreiros e inevitavelmente sagrados. Quando só se tem 30 anos para viver, quando aos 15 anos já vivemos metade da nossa vida, esta visão do mundo e de nossa condição deve ser terrivelmente confortante. Todo o sofrimento tem uma justificação e um destino, se ele é bom aos olhos de Deus melhor ainda.
A questão que sobra e não é uma questão menor é esta: Não basta, embora seja absolutamente necessário, dotar o Afeganistão de meios para anular esta gente, o que em si não é sequer uma novidade para a população. Invadida vezes sem conta, desde as invasões arianas à 6000 anos atrás, viu todo o tipo de civilizações nascer e desaparecer.
Pouca gente poderá apreciar a situação se não souber que e a título de exemplo Kandahar, a segunda cidade mais populosa do Afeganistão e habitada desde o anos 500 A.C. e fica ao lado de uma vila fundada algures no ano 3000 A.C., conhecida pela sua localização na intersecção entre as principais rotas de comercio entre a Índia e o Oriente, famosa pelos pomares que a rodeavam e que em 1990 pouco mais eram do que um gigantesco campo de cultivo de papoilas na cidade mais minada do planeta. A história e a cultura locais de Kandahar foram arrasadas e o que sobrou presta-se aos mais variados abusos, como o Templo da Capa do Profeta, capa essa que o famoso Mullah Omar, líder Taliban que protegia Bin Laden, mostrou à população que o baptizou Líder dos Crentes.
Logo, não se trata de determinar se 30 000 soldados serão suficientes, provavelmente não serão, mas se é possível repor os princípios de uma região que teve cidades dedicadas à Cultura, cidades que foram conhecidas pela sua ligação à educação e ao conhecimento, lugares que ultrapassaram em muito, por exemplo, os valores ocidentais da emancipação da mulher. Sítios que os Talibãs – financiados pelos contrabandistas de droga e armas – arrasaram e tentaram apagar da memória. Falta no fundo fazer aquilo que a comunidade internacional não fez no Afeganistão pós-soviético e se não fizer outra vez, se não financiar a paz nos mesmos moldes em que financiou a guerra, será uma questão de tempo até um novo 11/09.
Sócrates responde às perguntas dos jornalistas nos termos que todos conhecemos, nada de novo aqui. Nada de novo no tom agastado pela pergunta que o irrita.
Nada de novo também na realidade que lhe fora anunciada no início do seu primeiro mandato. Já na altura Marques Mendes dizia que, com aquela cabeça, aquelas políticas, acabaríamos com uma taxa de desemprego insuportável. Sócrates tratou-o e ao resto do país, como gente de má fé, certamente frustrada e invejosa do seu fulminante génio.
Ouvir hoje o mesmo José Sócrates parece que estamos a rever um daqueles filmes do assustador neo-realismo português, Sócrates não nos responde com a realidade, nem sequer a descreve, foge dela a sete pés. Em alternativa, a única que nos concede, imagina um mundo e trata de nos descrever a referida fantasia agora com contornos de romance tecnológico e termina sempre com a inevitável lição moral aos que o invejam, aos que não percebem certamente por teimosia ou pura estupidez, que o futuro será maravilhoso.