Arquivo de Setembro, 2009

Fanático de ocasião

Setembro 22, 2009

Escreve o senhor Fernando Martins que “a salivar, ontem, Pedro Passos Coelho apareceu em Vila Real na campanha do PSD”.

A salivar? Curiosa descrição quando o homem, que é o Presidente da Assembleia Municipal de Vila Real, a sua terra, foi lá e nesse estatuto se sentou na fila da frente. Não sem antes ter sido objecto de uma ovação dos presentes. Que também salivavam presumo.

Para a pessoa do Fernando,  o Passos Coelho entrou para “desempenhar um papel que considera assentar-lhe como uma luva: o de cangalheiro de Manuela Ferreira Leite.”, Fernando Martins, tal como Pedro Picoito ou Maria João Marques lê mentes, é um telepata ou no caso um telepato e remata “no entanto, tenho para mim que esta velha promessa do PSD não percebe que é, há muito tempo, cangalheiro dele próprio.”

Brilhante análise de nada e onde, mais uma vez, se revela mais sobre o autor que sobre o objecto da obra. O ódio e o rancor porque quem não alinha pela mesma bitola fica-lhes bem, há quem aplauda estes ridículos “office-boy’s” de ocasião e que, na suas certezas, não ficariam deslocados num friso de membros do Comité Central.

É a vida, quando se irritam o pé foge para a chinela e depois e vê-los numa espécie de 100 metros chanating a ver quem é que soma mais pontos junto dos chefes.

O Marques Mendes também vai aparecer, imagino para juntar saliva à coisa.

O quebra-cabeças Social-Democrata

Setembro 16, 2009

Posso imaginar o enfado da imprensa pelo repetido martelar do assunto TGV e Espanha nesta campanha.

Não será muito aliciante para o trabalho diário de um jornalista assistir à repetição à náusea da argumentação sobre o assunto. No entanto e embora as elites – espécie que não estou certo que exista – tenham franzido o nariz aos argumentos de Manuela Ferreira Leite, os argumentos calam fundo no povo e considero fazerem parte de uma jogada muito inteligente e pensada. Como morrer afogado, cair de um precipício ou cegar são “terrores” íntimos, no caso dos portugueses, do povo na rua, a “ameaça espanhola” é um medo ancestral e histórico.

Que o PS se tenha deixado enredar só se explica por desespero e desorientação. Diga-se de passagem que a jogada é inteligente e obriga a uma “resposta” inteligente. Não sei se a inteligência não é uma qualidade demasiado escassa por aquelas bandas e pelos exemplos espanhóis parece ser também esse o caso no PSOE.

O único candidato, para além de Manuela Ferreira Leite, que percebeu a armadilha foi Paulo Portas que já tratou de desclassificar a questão ao máximo e sugerir outros assuntos. Percebe-se a urgência da iniciativa quando assistimos aos restantes candidatos a tentar fazer piruetas mentais com o quebra-cabeças social-democrata.


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