Arquivo de Julho, 2009

E tu Fanã? Querias ser como o João?

Julho 30, 2009

João Gonçalves é uma das muitas figuras que sobrevive à sombra dos defeitos que acusa os outros de terem. Cultiva ódios como quem come tremoços, a coisa é sempre pessoal, não há meias-tintas. Excepcionalmente se a vitima lhe passa a mão pelo pêlo, lá concede uma frase simpática e um sorriso de compreensão, “estão a ver?” – explica o João – “disse que o gajo era uma besta quadrada e ele até foi um cavalheiro e agradeceu a minha atenção.”

Poderia parecer que o João era alguém que no fundo anseia por carinho, umas festinhas no lombo, de ser apaparicado. Não é verdade. Ele de facto, não precisa disso para nada e muito menos de simpatia. O homem basta-se.

Ele quando nos atira com a sua aversão a uma figura, a insulta, enlameia, acusa de horrendos pensamentos (o João lê pensamentos não sabiam?), retorce, cospe, chuta e lhe faz cócegas (o João faz cócegas, é verdade, mas olhem lá, faz com força) não se pense que o nosso João quer atenção, quer que lhe liguem, lhe batam de volta. Nem pensar nisso. Ele está genuinamente zangado, está a fazer biquinho até. Aquelas coisas que ele escreve, cheias de justa indignação para com a superficialidade do mundo, de Portugal e do Passos Coelho (por esta ordem) não são mais que lancinantes gritos de alerta ao mundo, a Portugal e ao Pacheco Pereira (também por esta ordem).

Ao João deve-se muito, por isto e mais uma dúzia de coisas que não quero agora mencionar porque é tarde e eu fico cheio de tremuras quando me ponho a escrever sobre ele.

Ao contrário dele e também por causa dele, a populaça, eu e o Fanã (o que vende tremoço na Feira de Fanares) roemos as unhas sempre que pegamos numa caneta, no portátil ou na lata de tinta enquanto fazemos aquela terrível pergunta: E o João pá? Será que o João aprova?

Não Laura. Não é semi. É totalmente entrincheirada.

Julho 30, 2009

Mas custa-me mais olhar para a alternativa e ver uma mancha de gente e de som, semi-entrincheirada, a lutar guerras pessoais esquecendo-se do país e dos eleitores, que adia a apresentação das suas propostas para uma altura em que já não haverá grande tempo para discuti-las, deixando-nos a todos, à direita, com coisa nenhuma para contrapor ante a interpelação entusiasmada da esquerda. Não é enfado, não. É desalento.
Laura Abreu Cravo

Coisas que são escusadas

Julho 30, 2009

Há coisas que mesmo a um católico praticante, devoto de Fátima e dotado de uma voz de extraordinário timbre que se destaca nas Missas Dominicais de Santa Isabel  irritam solenemente: Que os senhores Padres, Abades, Cónegos, Bispos e Cardeais se ponham a fazer política como se fossem políticos. Passo explicar, antes de todas as coisas maravilhosas e relevantes para a lusa cristandade que eu manifestamente sou e dizem que sou, sou muito português, sou religioso mas implico com o Padre.

Implico com o Padre, sobretudo se homem se põe a imitar os políticos e logo os políticos portugueses que, como é bem sabido, são os piores a fazer elogios. Exageram de tal forma que o melhor elogio logo parece um insulto.

Esta prosa que o Cónego Armando Duarte fez publicar é isso tudo e mais umas botas. Assumo já que a intervenção da Igreja na política é para mim um facto que não me perturba nada mas entre estes elogios do Senhor Cónego e o absoluto silêncio prefiro a velha história de um Padre de Alenquer.

Este que terá dito que não lhe cabia indicar aos fieis em que partido deviam votar mas logo lembrou que na altura em que estivessem para fazer a cruzinha no boletim de voto se recordassem que “as setas apontam para o Céu”. Ora assim, sim!

Basicamente é isto que tenho para escrever sobre o assunto, também preferia que em vez de ter lido o Senhor Cónego tivesse lido uma encarnação do D. Camilo armado de um banco de Igreja para afastar as moscas. Não se pode ter tudo.

Aprender a ler o DN com os meninos espevitados

Julho 22, 2009

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Cómico de serviço

Julho 20, 2009
O mais engraçado é ver os mesmos que defendiam ardentemente o pluralismo do PSD para o tiro à Ferreira Leite defenderem ainda mais ardentemente a unidade do PSD para que Passos Coelho seja espécie protegida.
De tudo – e tudo é o maquiavelismo de bolso, a pose pacóvia de mártires da liberdade, a absoluta nulidade vendida como salvação da pátria – é isto o mais engraçado.

Nah! O mais engraçado de facto é ver esta pessoa exibir a mais completa indigência mental e ignorância de manteigueiro, à mistura com insultos de taberna a terceiros, que é (como é próprio do género) incapaz de enfrentar. Verdade seja dita, não saber ler e confundir pluralismo e unidade não ajuda e até justifica.

Comparações abusivas

Julho 18, 2009

Já cá faltava esta.

Lá aparece Pacheco Pereira com a sua tese de quem não está com a líder a 100%, inequivocamente e palavrinha por palavrinha, pois que se cale, pois que renuncie à representatividade a que os órgãos do PSD lhe oferecem. Não basta querer ser deputado, é preciso que as estruturas locais convidem, é preciso que a Direcção não se oponha. Havendo debate interno, pois que se faça “sem drama interno”. Uma novidade no PSD.

Para exemplificar vai buscar Alegre. Faria sentido se Alegre se tivesse ficado pela crítica interna, só que Alegre não só não ficou pela crítica interna como fez oposição ao Governo emanado do seu Partido, foi candidato à Presidência contra o candidato oficial do seu Partido e somando a isto, ameaçou várias vezes constituir um partido alternativo.

No PSD só me lembro de uma situação recente e vagamente similar à de Alegre, quando Santana Lopes fez saber que talvés lhe desse para fazer um novo Partido. As semelhanças com Alegre param aí.

Claro que o alvo de Pacheco Pereira é Pedro Passos Coelho e seja quem for que com ele esteja e não se tenha convertido, nem que seja formalmente, a tudo quanto a Direcção defende. Que Pacheco Pereira defenda este tipo de posições para si, acho lindamente, que compare Alegre, a situação em que Alegre se colocou voluntáriamente no PS, à situação de Passos Coelho ou mesmo Santana Lopes num passado não muito distante já é coisa que me escapa.

Ando a cantar isto aos gritos. Notem, aos gritos.

Julho 15, 2009

We are ready for the siege
We are armed up to the teeth
Be careful how you live and breathe
Release what’s broken underneath

How many times do you wanna die?
How many ways do you wanna die?

Do you feel safe again? Look over your shoulder
Very carefully look over your shoulder

We can laugh about it now
We hope everything works out
Be careful how you lick your wounds
Believe that change is coming soon

How many times do you wanna die?
How many ways do you wanna die?

Do you feel safe again? Look over your shoulder
Very carefully look over your shoulder

You used to do a little, but a little won’t fly
Right before you hit your prime
That’s when we fell in love, but not the first time

Can I please you still?
Remain in your father’s will

Or does it make you ill?

Let us bruise their knees
We went in straight for a defeat
You will be relieved

So relieved, so relieved to the flow, and desire
Bitter sparks to the friendly fire
Misery inspires

Your throwin’ me cuts several times before
Never noticed the size of the flow
Make it be ignored

Do you feel safe again? Look over your shoulder
Carefully look over your shoulder

You said you believe, but believing won’t fly
Right before you hit your prime
That’s when we fell in love, but not the first time

And when it’s all over and you open your eyes
You see the room turned on its side
And you’ll be lying down and over on the floor; signed,

The Royal We (x8)
Love The Royal We

nau fore somesing camplitli difarante

Julho 14, 2009

Sou um fã – não fanático e raro consumidor hoje em dia – de bandas desenhadas. Sei bem que me ficaria a matar espetar com as habituais referencias a Moebius e 324 autores belgas mas, confesso e com excepção dos tradicionais Asterix, apenas fui fiel ao Blake & Mortimer.

O resto, que vergonha, reduziu-se aos super-heróis da Marvel e DC ainda que com algum critério nas escolha, sobretudo relacionada com autores e desenhadores específicos e menos com os heróis. Houve excepções.

Alguns heróis nunca me “disseram” nada, caso do conhecido Capitão America – um super-soldado americano que usa a bandeira como unforme. Nunca percebi a razão de ser do personagem, nada nele era interessante e – mais uma vez – foi preciso que dois génios deste género pegarem nele durante menos de 6 páginas para o Capitão ter algum interesse.

Foi nos anos 80 pela mão de Miller e Mazzuchelli durante a elaboração de uma das obras primas da Marvel: “Born Again” que julgo foi traduzida para português sob o título a Queda de Murdock.

darede04“Born Again” conta a história da queda e renascimento do herói Demolidor (Daredevil), o filho de um pugilista irlandês criado na Hell’s Kitchen, cego num acidente em criança que adquire super-poderes (uma espécie de radar e hipersensibilidade) tornando-se um advogado famoso e bem sucedido de dia e um combatente do crime à noite. Cego, salta de prédio em prédio, sem mostrar medo. Só que o medo está lá e Miller e Mazzuchelli trataram de nos mostrar onde.

Miller e Mazzuchelli escolheram não se socorrer do homem com o fato de diabo mas do advogado para contar a sua história e provar que se o herói não tinha nada a temer já o homem que subira na vida a pulso era uma presa fácil. A identidade secreta é revelada a um chefe mafioso que resolve dar início a uma série de acontecimentos que resultam na queda do advogado. Ao longo de 2/3 da história assistimos à lenta destruição do homem, fica sem dinheiro, sem casa, sem namorada, sem licença para exercer advocacia, sem amigos, sem esperança. Os dois autores fazem a personagem cair na total e mais absoluta miséria, para provar a premissa que “um homem sem esperança é um homem sem medo”. Só quando já não existe outra solução, nem mais nada a perder, é que Murdock volta à sanidade e a vestir o seu fato.

6a00d8345158e369e200e553bbfa108833-450wiMesmo no fim da história, quando Matt Murdock volta a Hell’s Kitchen e volta a vestir o seu fato de super-herói aparecem os Vingadores. Há um duplo significado nessa presença: Miller e Mazzuchelli sublinhavam que a aposta comercial da Marvel na marca “Vingadores” podia ser muito maior da que fora feita na marca “Daredevil” mas que o potencial para grandes histórias esava precisamente nesta última história. Por outro lado, é então que ambos provam que um personagem unidimensional como o Capitão America podia ser interessante se a Marvel se deixasse de parvoiçes e fizeram-no de forma brilhante.

O Capitão America aparece então como um homem amargurado, consciente que os valores que ele coloca acima de todos não merecem nenhuma atenção das novas gerações. Num frenesim de violência em Hell’s Kitchen causado por uma versão actualizada de um super-soldado como ele, um psicopata dependente de estimulantes químicos, o Capitão America intervem porque o criminoso ostenta o mesmo símbolo que ele, a bandeira norte-americana tatuada no rosto. Todo o potencial do personagem está ali, quando Murdock, que é cego, pergunta a Rogers (o nome civil do Capitão America) o porquê do seu interesse naquele psicopata, ao que este responde “porque ele usa a bandeira”. Murdock retira-se afirmando que não o havia notado.

Miller e Mazzuchelli desenham então um Capitão America em silhueta, completamente só, a dizer que já ninguém liga à bandeira ou por outras palavras já ninguém é leal ao Sonho.

Estas foram as únicas páginas decentes que foram desenhadas para o Capitão America. Porque é que me lembrei disto agora? Não faço ideia.

Continua o fenómeno:

Julho 10, 2009

uns rapazitos (mas não na idade) chegados agora ao PSD, cheios de entusiasmo messiânico, acham que basta imitar Pacheco Pereira e o resultado é um discurso autoritário, meio tresloucado e perigoso. Perigoso porque se os jornais apanham um destes tipos a dizer o que pensa vai dar asneira.

A pensar na próxima exposição

Julho 8, 2009


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