Arquivo de Abril, 2009

Sobre o pós 25 de Abril

Abril 26, 2009

Um dos factos mais extraordinários do 25 de Abril foi a ausência de um banho de sangue. É um caso único e sem paralelo e que ao contrário do que se pensa não se deve aos brandos costumes portugueses, conceito criado por Salazar que conhecendo a História sabia bem que o nível de selvajaria deste povo não fica atrás de nenhum outro, mas a vários momentos de lucidez que no meio da confusão tomaram conta pontualmente de certa e determinada gente. Alguns terão sido de lúcida coragem outros (ainda bem) de lúcida cobardia.

Claro que com a ausência de banho de sangue ocorreu uma interessante substituição, pois se não nos matámos uns aos outros fizemos questão em torturar todos. Só assim se justifica a programação televisiva que se seguiu… quer dizer, alguém acha que 7 horas de programação seguida com Júlio Isidro era outra coisa que um castigo? A loucura de Vasco Granja por Chestokov Primokov e os seus desenhos (pouco) animados em picotado seriam outra coisa que o equivalente a choques electricos?

Há muitas maneiras de dizer isto, por enquanto esta é a melhor.

Abril 26, 2009

É sensato não nos habituarmos à ideia de que o vamos ver sempre do mesmo ponto de vista. Porque um dia a lixeira pode transformar-se num espaço gourmet, como o que antes nos parecia longínquo pode subitamente estar à nossa frente.

O nosso comum amigo Miguel Esteves Cardoso já me tinha explicado isto vezes sem conta – mas eu demorei a perceber, é verdade.

Pedro Rolo Duarte

Cuidado com os dedos espetados…

Abril 26, 2009

congresso-053

Há um sério problema de alguns militantes (simpatizantes) do PSD em olhar para a realidade quando ela não lhes convém. Eu percebo simpatias, percebo lealdades, percebo até inimizades que daí nascem. Mas em face dos factos, da clara evidência dos mesmos, é pouco mais que esquizofrénico procurar responsáveis fora do círculo dos que realmente o são.

Ou como escreveu o PML.

Vai longe esta direcção do PSD com estes conspiradores.
Nem uma palavra sobre o texto que evidentemente não lhes interessa. O que importa é uma teoria conspirativa que mete jornais e supostos apoiantes de quem quer que seja.
Dá vontade de rir mas é apenas triste.

PeC

Abril 21, 2009

O Prós & Contras de ontem foi um memorável momento televisivo e não o escrevo a brincar. Foi mesmo. A gritaria ajudou e muito, a perceber ao que vinham os candidatos. Se Ilda Figueiredo falou para o seu partido, na prática estar ali ou sozinha numa sala a falar para uma câmara era igual, sendo que se era esse o objectivo esteve lindamente.

Miguel Portas veio no entanto com uma agenda bem diferente, falou para fora e sobretudo contra o PS, o fim foi atingido e a espaços assumiu uma clara liderança no debate.

Nuno Melo começou melhor que os restantes candidatos mas, ao longo do programa, foi perdendo “pontos” e assim que foi interrompido pareceu-me ter perdido o registo o que não deixa de ser estranho para um deputado.

Vital Moreira foi o que mais me surpreendeu, sendo certo que hoje já não usufrui das vantagens da k7 – uma autêntica muleta quando não se quer dizer nada – a sua proverbial independência foi totalmente desmentida pela argumentação coxa em defesa do governo a que foi forçado por Rangel, logo secundado por Porta e Melo. Houve mesmo momentos algo confrangedores que reforçam a ideia exposta no Insurgente: realmente a melhor coisa que o PS pode fazer é esconder o seu candidato e garantir que a sua imagem se mantêm mais ou menos intacta até às eleições.

Paulo Rangel demorou algum tempo a sair do seu registo algo formal mas assim que o fez, sacrificando alguma objectividade por um discurso mais agressivo, a sua prestação melhorou muito e foi com surpreendente facilidade que expôs as fragilidades do seu adversário.

Post feito de barriga cheia

Abril 14, 2009

Uma das vantagens de passar a Páscoa à terra (ao Minho) é que, para quem a vive, só lá parece ser vivida. Não há boa Páscoa há Santa Páscoa, há compassos, há Missas e foguetório, há Sexta-Feira Santa, sobretudo e para quem pãezinhos com menos sal é coisa impensável, um Sábado com um arroz de lampreia, cabrito e um domingo ainda mais pantagruélico, com ensopado de borrego, javali, cabrito, doce de ovos, pão-de-ló, tudo isto regado com vinho verde, verde tinto, tinto e mais não digo. Um festival de pecados que anularam as boas intenções da Quaresma.

A realidade, ainda que não toldada pelos excessos, parece-nos estranha. Para a boa gente que visitamos por estes dias, que encontramos na rua, tudo que por estes dias preocupa os mentideros políticos é coisa sem a menor importância, os cartazes de Manuela Ferreira Leite, uma coisa horrorosa para a qual não tenho explicação, de Vital Moreira, brilhante na personificação do que mais plástico e reverente o PS tem a oferecer ao país – a minha filha tem um barriguita igualzinho, juro! – o drama/tabu da escolha do cabeça de lista, da lista e sei lá mais o quê do PSD, as descabeladas diatribes de Ana Gomes… Nada disto importa. Há muito que perceberam que a Europa nada lhes diz, não sabem nem querem saber quem faz o quê e para quê na Europa.

Como hoje já sabem que Sócrates não se impressiona facilmente e uma eventual derrota nas Europeias não mudará uma vírgula naquela cabeça, que também não é agora que a coisa pode mudar, então para quê perder tempo com quem não perde tempo com eles? Fica para depois das férias, entretanto há que cuidar da vida que está muito complicada e se não mudou nada até agora bem se pode esperar mais um bocado.

O que é isso de uma Aliança de Civilizações? II

Abril 8, 2009

Sabemos hoje que Obama evitou estar presente no fórum da Aliança de Civilizações, haverá muitas razões para tal, sendo que as principais já tinham sido adiantadas em várias alturas. Não são mal-entendidos como adianta o Gabriel Silva, são de facto bem mais que isso.

Há tempos alertei para um artigo da Heritage Foundation (via Paulo Gorjão) sobre algumas das razões que poderiam levar Obama a não perder o seu tempo nesta iniciativa e de facto assim foi.

ain16551Há ainda menos tempo voltei a escrever sobre o assunto, houve quem adivinhasse algum pessimismo nas minhas palavras e tinha alguma razão. Na altura escrevi que “um sistema de valores, filosóficos, culturais, religiosos e ideológicos existe como emanação dos povos que o partilham, não tem como fim ser aceite ou tolerado por um outro sistema que pode muito bem ser diametralmente oposto.

É certo que esse mesmo sistema pode advogar princípios de tolerância para com a diferença mas se confrontado com uma ameaça à sua existência reage de forma a garantir a sua sobrevivência.”

Bernard Lewis, no seu livro “O Médio Oriente e o Ocidente. O que correu mal?”, lembrou que no “Ocidente havia há muito o hábito de pensar em bom ou mau governo em termos de tirania versus liberdade. Tradicionalmente, no Médio Oriente, imunidade ou liberdade eram vistos como conceitos legais e não políticos. (…) ao contrário do Ocidente, os Muçulmanos não utilizavam a escravidão e liberdade como metáforas políticas. (…) o oposto da tirania não era liberdade, mas justiça.”

Aqui está uma diferença entre duas civilizações que não pode ser apagada por qualquer documento que advogue o recurso a uma linguagem que “esconda” essa mesma diferença em nome de uma melhor compreensão do próximo.

O discurso politicamente correcto não serve nada nem ninguém, mas apenas tenta perpetuar a ilusão que não há diferenças que quando são ignoradas matam.

Já publicado aqui

O Caso Freeport

Abril 8, 2009

O que ajudará o nosso Território, será um sistema moderno e coerente de Ordenamento.
E, claro está, uma Inspecção do Território forte e eficaz, capaz de detectar operações impróprias em tempo útil, com uma legislação de suporte que lhe permita intervir e sistemas repressivos que garantam aos transgressores que a primeira vez que forem apanhados paguem seriamente o seu cometimento e sejam mesmo prejudicados.

Não há amadores neste segmento de mercado.

Rogério Gomes na Plataforma Construír Ideias – aqui

André Sapir em directo: Medidas Anti-Crise na Europa

Abril 6, 2009

A Plataforma Construir Ideias vai organizou uma conferência com o Professor André Sapir, membro do Bruegel – Brussels European and Global Economic Laboratory – que vem a Portugal falar sobre as Medidas Anti-Crise da Europa.

Veja a transmissão em directo, aqui, a partir das 19h do dia 7 de Abril.

A ler

Abril 6, 2009

Quatro anos e meio que mudaram o país… no Insurgente

Um pouco mais de verdade

Abril 6, 2009

José António Barreiros, veio de novo a terreiro, através de uma carta ao Director do Público, esclarecer alguns pontos sobre a demissão de Alberto Costa no Caso Emaudio/TDM, que o Público recuperou neste fim-de-semana.

Para quem estiver interessado aqui está o link, ou como o próprio designa: o post kamikaze.

Transcreve-se as suas conclusões sobre a moral da história: preparem-se os senhores magistrados, pois o Ministro ABC entende que se funcionários superiores do Ministério – apenas na sua qualidade de cidadãos – os contactarem, através de amigos, nas suas residências, para discussões «académicas» sobre temas integrantes do objecto de processos de que sejam titulares com arguidos presos, visando modificar-lhes o ponto de vista que mantenham sobre os casos, isso é conduta legal e não censurável.”

Também aqui no 31 da Armada



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