Continua o fenómeno:

Julho 10, 2009 by Afonso Azevedo Neves

uns rapazitos (mas não na idade) chegados agora ao PSD, cheios de entusiasmo messiânico, acham que basta imitar Pacheco Pereira e o resultado é um discurso autoritário, meio tresloucado e perigoso. Perigoso porque se os jornais apanham um destes tipos a dizer o que pensa vai dar asneira.

A pensar na próxima exposição

Julho 8, 2009 by Afonso Azevedo Neves

Poema para a Fernanda

Julho 8, 2009 by Afonso Azevedo Neves

(Poema de Euleriano Ponati a Fernanda Câncio.)

Ó Fernanda,
dado que já estou cansado
do ar teatral a que ele equivale
em todo o horário de cada canal,
no noticiário, no telejornal,
ligando-se ao povo, do qual ele se afasta,
gastando de novo a fala já gasta
e a pôr agastado
quem muito se agasta
por ser enganado.

Ó Fernanda,
dado que é tempo de basta,
que já estou cansado do excesso de carga,
do excesso de banda, da banda que é larga,
da gente que é branda,
da frase que é ópio,
do estilo que é próprio para a propaganda,
da falta de estudo,
do tudo que é zero,
dos logros a esmo e do exagero
que o nega a si mesmo,
do acto que é baço,
do sério que é escasso,
mantendo a mentira, mantendo a vaidade,
negando a verdade,
que sempre enjoou,
nas pedras que atira,
mas sem que refira
o caos que criou.

Ó Fernanda,
dado que já estou cansado,
que falta paciência, por ter suportado
em exagerado o que é aparência.

Ó Fernanda,
dado que já estou cansado,
ao fim e ao cabo,
das farsas que ele faz,
a querer que o diabo me leve o que ele traz,
ele que é um amigo de Sao Satanás,
entenda o que eu digo: Eu já estou cansado!

Sem aviso prévio,
ó Fernanda, prive-o de ser contestado!
Retire-o do Estado!
Torne-o bem privado!

Ó Fernanda,
leve-o!
Traga-nos alívio!
Tenha-o só num
pátio para o seu convívio!

Ó Fernanda,
trate-o!
Ó Fernanda,
amanse-o!
Ó Fernanda,
ate-o!
Ó Fernanda,
canse-o!

Heavy duty shit

Julho 6, 2009 by Afonso Azevedo Neves

Acção Social da Universidade Lusíada

Julho 6, 2009 by Afonso Azevedo Neves

Faço parte da ASUL desde 1992 e foi durante vários anos uma espécie de alfa e ómega da minha vida estudantil, a própria universidade fazia parte da ASUL e não o contrário. Nela abandonei uma religiosidade que nunca saíra do superficial cumprimento dos deveres e ritos, para uma prática diária, física e mentalmente exigente, de uma religiosidade virada para as necessidades do próximo.

O nosso lema era e é “Tudo o que não se dá, perde-se” mas não deve haver um único “asul” que não tenha vindo de lá convencido que esteve longe de dar nas proporções que recebeu. Em Portugal ou em Cabo Verde, este grupo foi sobrevivendo às saídas dos que entretanto acabavam o seu curso, casavam ou inciavam uma vida profissional e foi especialmente gratificante olhar para os novos “asuis”, 15 anos mais novos, que hoje levam o projecto por diante.

Panamera – 1

Julho 6, 2009 by Afonso Azevedo Neves

panamera

Parece que andam por aí uns puristas da marca Porsche que não gostam do Panamera. Compreendo e estou tão solidário que me ofereço para vos aliviar do peso de terem tal monstruosidade enfiada na vossa garagem, é só passarem lá por casa e deixarem as chaves que prometo que nunca mais o tornam a ver.

Miserável

Julho 5, 2009 by Afonso Azevedo Neves

Já escrevi aqui, um pouco a brincar e em jeito de tradução, algumas notícias postas a circular sobre alguns “desabafos” de certos militantes no PSD sobre a inclusão ou não-inclusão de Passos Coelho nas listas do PSD à Assembleia da República. Não há nada de relevante nessa opção, que a ser tomada será por Manuela Ferreira Leite, na altura própria e como ela bem entender.

Passos Coelho já foi deputado, saiu recusando e bem a reforma por a considerar – ao tempo e na sua idade – totalmente descabida, fez o curso de economia, foi trabalhar e só voltou à política activa 10 anos depois. Hoje não precisa de ser deputado, como não precisou nos últimos 10 anos para viver ou sequer afirmar-se políticamente.

Mas uma coisa é olharmos para Passos Coelho como um adversário interno de MFL se quisermos, discordarmos dele, achar que ele esteve mal nisto e aquilo, é achar que só se faz um bom grupo parlamentar com os nossos – sejam eles declarados apoiantes da liderança ou gente que se reduziu a um prudente silêncio para não impressionar a direcção – ou que fingem ser dos nossos em bonito e bem comportado apoio. Cada um escreve os disparates que quer, quando quer, mistura os nobres sentimentos e seriedade de pacotilha à sua vontade. Sinceramente, nem os factos, nem o assunto são verdadeiramente relevantes.

Completamente diverso é ler gente que nos é apresentada como espíritos livres, independentes, cronistas de corajosa pena que, no fundo, não escrevem apenas aquilo que pensam, ou repetem o que lhes contam sem aprofundar nada. É mais grave.

O que me espanta é uns textos cheios de moralismo sopeiro vertido em parágrafos recheadinhos de banalidades, generalidades e dados cuja origem está no campo da cuscuvelhice de aldeia. Uma opinião que não se fica pelo ressabiamento primário mas que se estrutura para que se retirem ilações sem o mínimo fundamento e  que motivam um conjunto de comentários absolutamente extraordinários e que deixariam envergonhado qualquer tipo minimamente decente que se quer dar a algum respeito ou que tem o distinto descaramento de dissertar sobre tal qualidade.

Acontece que o tipo em causa aprova os comentários e portanto não se parece incomodar com tais detalhes.

O Pacheco Pereira falava há uns dias de uma escrita por vezes irritante. É possivel, mas neste caso há uma designação mais apropriada para a escrita e para a atitude: Miserável.

Nota: João Gonçalves chama a atenção para o facto de não ser militante do PSD, que já foi. É verdade e ele já mo dissera uma vez mas os militantes a que me referi são os das fontes nos jornais, nada de extraordinário ou de espantar. O João não estava incluído nessa categoria.

O resto, comparações com terceiros embrulhadas em deselegâncias (mais uma vez) para com esses e conclusões tolas sobre doenças que só seriam possíveis naquele universo, save it! Classificas quem quiseres e como quiseres João, não vivas é no engano que eu as apanho deitado. Se tiveres dúvidas é só perguntares por aí ou dares um saltinho a Sintra que eu explico.

Traduções

Julho 3, 2009 by Afonso Azevedo Neves

Com a devida vénia uma tradução de um recadinho.

A lista de candidatos do PSD às próximas eleições legislativas ainda não foi discutida na comissão política nacional do partido.

(tradução: a procissão vai no adro)

Mas nos bastidores sociais-democratas cresce uma certeza:

(tradução: mas quem ainda não sabe o que vai acontecer queria dar uns recados)

o nome do ex-candidato à liderança do partido, Pedro Passos Coelho, não vai constar na lista final aprovada por Manuela Ferreira Leite.

(tradução: se fosse eu a decidir o Passos não punha cá os butes)

Fontes próximas da direcção do PSD assumem que esta é uma decisão pessoal da líder do partido,

(tradução: mas quem manda é ela. Sei lá o que ela quer fazer!)

mas rejeitam a ideia de tratar-se de uma vingança:

(tradução: acho que ela não me vai ligar nenhuma e acho mal. Eu cá corria o tipo a pontapé!)

é apenas uma decisão pragmática para assegurar a estabilidade interna.

(tradução: até porque tenho cá uma justificação catita.)

Nota aos tolinhos

Junho 30, 2009 by Afonso Azevedo Neves

Uma boa maneira de remover as verdades inconvenientes e substituí-las por mentiras mais confortáveis é “limpar” o passado de coisas menos confortáveis. É uma escolha covarde. A ideia que o tempo é importante nem sequer é relevante, nem o tempo nem o modo mas apenas o conteúdo importa. Aguardemos então sem pressas o que nos tem para dizer o programa de governo do PSD, certos que será lido por pouco mais gente que os que o elaboraram, embora aqui não me devo espantar que esses só leiam a parte que escreveram.

É uma questão de saber que existe uma escolha e que essa escolha é real. O resto, o tempo, o modo, as vaidades pessoais que fazem parte disto tudo são perfeitamente secundárias, são palha a arder.

É uma questão de clareza e de não alinhar em superficialidades

Junho 30, 2009 by Afonso Azevedo Neves

Eu diria antes, parafaseando António Machado,  para se ter cuidado com uma sociedade onde a blasfémia não é permitida porque nessa altura é o ateismo que domina.